25/03/2017

Afinal, o que é ser atleticano?

Alisson Millo*

Atleticano: sou há 23 anos e, confesso, é difícil explicar. É uma sensação bastante subjetiva. Eu aprendi com meu pai que Reinaldo era para ser o sucessor de Pelé. Cresci odiando aquele árbitro que todo atleticano odeia, porque isso é o certo, mas só tempos depois fui entender o motivo. Toninho Cerezo foi o maior meio-campista de todos os tempos, afinal foi o que ele me disse. Para Seu Bruno, ser atleticano é isso.


No estádio, "Olê, Marques" marcou minha infância. Por muito tempo, Valdir Bigode foi meu ídolo maior. O tempo passou, depois de decisões desastrosas de diretorias terríveis, o clube viveu o pior momento de sua história, mas lá estávamos nós, no Mineirão, gritando os nomes de Marinho, Marcos e, às vezes, Bilu, sempre acompanhados por outras 50 mil vozes. Foi ali que aprendi que ser atleticano é, simplesmente, estar sempre ali, apoiando, por pior que seja a fase. Não há obstáculo grande demais para a massa.

Mais novo, meu irmão pegou uma fase melhor. Para ele, atleticano é aquele que idolatra São Victor e viu Ronaldinho Gaúcho fazer história com o manto alvinegro. Sinceramente, tenho um pouco de inveja dele por ter se tornado atleticano nessa era. Torcer pelo Galo, para ele, é sempre comemorar títulos e ver um futebol bonito de um time com vários craques.

Atleticano: 109 anos de paixão alvinegra
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Fiel ao radinho, aprendi com Mário Henrique Caixa que ser atleticano é saber que sempre tem que ser sofrido. Cresci ouvindo Willy Gonser e sei que não dá para não amar um time que faz um paranaense alemão se tornar torcedor e ídolo de sua massa. Ser atleticano é se emocionar com tantos lances importantíssimos narrados por essas vozes tão marcantes e, mesmo depois de anos, sentir algo que é impossível explicar.

Pela vida afora, descobri que, no Atlético, às vezes a raça se sobrepõe à técnica. Jogadores como Pierre, Leandro Donizete, Galván e outros tantos viraram ídolos da torcida justamente por esse motivo. Não que algum desses fosse ruim, mas a verdade é que são lembrados mais por terem deixado o sangue em campo do que por jogadas muito plásticas. E não há nada de errado nisso: lutar com toda raça para vencer é ser um de nós.

Neste dia 25 de março, sinta ainda mais orgulho, torcedor atleticano. E nos outros 364 dias, jamais se esqueça de que o Galo é campeão brasileiro, da Copa do Brasil, da Libertadores, da Conmebol por duas vezes e, há algum tempo, o maior campeão de Minas Gerais. O respeito do povo é conquistado dentro de campo e com uma história vencedora como a que hoje completa 109 anos. Uma vez, até morrer.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

24/03/2017


Um dos mais utilizados por Vagner Mancini, jovem zagueiro comenta
início de trabalho no alviverde: 'Em 60 dias, a gente se reestruturou'

Vinícius Dias

A expectativa pelo principal capítulo da história da Chapecoense - a final da Copa Sul-Americana diante do Atlético Nacional, em Medellín - deu lugar a luto e dor, em novembro último, em razão do acidente aéreo que deixou 71 mortos. Em meio à comoção mundial, no entanto, a necessidade de formar um novo elenco fez com que a tragédia mudasse a vida de vários profissionais. Um deles foi Fabrício Bruno, de 21 anos. "A proposta chegou para mim no dia 26 de dezembro", relembra o zagueiro, natural de Contagem, ao Blog Toque Di Letra.


Três semanas depois do convite, recebido enquanto curtia férias após a primeira temporada como profissional no Cruzeiro, Fabrício Bruno marcou seu nome na história do clube catarinense: foi titular no amistoso contra o Palmeiras, na Arena Condá, o primeiro capítulo da reconstrução. "Em função de tudo o que aconteceu, eu vim de peito aberto e extremamente feliz com o novo desafio", destaca o zagueiro, que tem contrato com o clube celeste até dezembro de 2019 e vestirá a camisa da Chapecoense, por empréstimo, até o fim desta temporada.

Fabrício Bruno: cara nova em Chapecó
(Créditos: Chapecoense/Flickr/Divulgação)

Em sua primeira experiência fora do Cruzeiro, o jovem faz avaliação positiva do trabalho. "Em pouco mais de 60 dias, a gente se reestruturou bem", comenta uma das peças mais utilizadas pelo técnico Vagner Mancini no trimestre. Apesar da estreia com vitória na Libertadores e do vice-campeonato do primeiro turno do estadual, Fabrício Bruno revela que nem tudo foram flores. "Os primeiros dias de trabalho foram difíceis". O mundo responde com o grito que, nos últimos meses, foi além da Arena Condá e do verde e branco: vamos, vamos, Chape!

Você chegou à Chapecoense para sua primeira experiência fora do Cruzeiro menos de dois meses depois de o clube, em razão de uma tragédia aérea, perder as principais referências dentro e fora de campo. Nos primeiros dias de trabalho, diante desse cenário, quais foram as principais dificuldades?

Eu vim para a Chapecoense depois de um longo tempo no Cruzeiro. Os primeiros dias de trabalho foram difíceis. É complicado se reerguer depois de tudo o que aconteceu, entrar na Arena Condá e lembrar da festa que era feita lá e dos amigos que não estão mais aqui. Todas as dificuldades estão sendo superadas no dia a dia, com o trabalho e a amizade verdadeira no grupo novo que se formou.

Do amistoso na Arena Condá contra o Palmeiras, marcando seu nome no primeiro capítulo da reconstrução do clube, até hoje, como tem sido a experiência na Chapecoense?

O jogo contra o Palmeiras marcou a reestruturação da Chapecoense. A experiência está sendo muito boa. Eu fui escolhido para jogar aqui e fazer parte desse momento. Já estou adaptado à nova cidade e focado no trabalho para evoluir e ganhar mais experiência em campo.

A presença de remanescentes de 2016, como Neném e Moisés, e o retorno de jogadores como Apodi, Túlio de Melo e Douglas Grolli, também emprestado pelo Cruzeiro, é um trunfo na relação entre o novo elenco e a torcida?

O Neném é um ídolo aqui, por todo o tempo que ele se dedicou à Chapecoense. O Moises não é diferente. Ele veio de um ano difícil, com uma lesão grave, e agora está aqui para ajudar o grupo. Apodi, Túlio e Douglas de volta é importante para o grupo dentro de campo e também para a torcida pela história que eles já têm aqui.

Quando você recebeu a proposta para defender a Chapecoense nesta temporada? Ao aceitá-la, o que mais te seduziu?

A proposta chegou para mim no dia 26 de dezembro. O que mais me chamou a atenção foi fazer parte desse processo de reconstrução da Chapecoense. Em função de tudo o que aconteceu, eu vim de peito aberto e extremamente feliz com o novo desafio. Quero honrar todos aqueles que se foram e procurar fazer o meu melhor para trazer a alegria de volta à cidade. Foi a minha primeira saída do Cruzeiro. Eu vinha de seis meses sem poder jogar e espero aqui ter oportunidade de mostrar a minha capacidade.

Vice-campeã do primeiro turno do estadual, eliminada na primeira fase da Copa da Primeira Liga, estreia com vitória na Libertadores. Como você, um dos jogadores mais acionados por Vágner Mancini até aqui, avalia o primeiro trimestre da equipe?

Em pouco mais de 60 dias de trabalho, a gente se reestruturou bem e mostramos um pouco dessa nova Chapecoense. Fomos vice-campeões no estadual por detalhe e estrear com vitória na Libertadores foi muito importante por se tratar da principal competição que estamos disputando.

Até o término da temporada, a Chapecoense disputará pelo menos mais quatro competições oficiais: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Recopa Sul-Americana e Copa Suruga. Qual é a principal meta traçada pelo clube?

A principal meta é ir bem no Campeonato Brasileiro e conseguir ficar bem posicionado na tabela. Temos um grupo novo, e o Brasileirão é uma competição difícil. O que der para buscar, na medida do possível, vamos buscar sim. Na Recopa Sul-Americana e na Copa Suruga, vamos lutar pelos títulos. A Copa do Brasil sabemos que tem que ser passo a passo.

23/03/2017


Atuações pelo time de Valadares chamaram a atenção de Atlético e
Cruzeiro; diretor de futebol celeste elogia camisa 2: 'Tem potencial'

Vinícius Dias

Destaque do Democrata de Governador Valadares no Campeonato Mineiro, Alan Silva pode trocar o interior pela capital após a competição. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, o lateral-direito, de 25 anos, está na mira de Atlético e Cruzeiro. O clube alvinegro fez uma sondagem diretamente a Alan Silva, depois do confronto pela 5ª rodada. Do lado celeste, houve um contato com o representante do camisa 2.


Embora tenha evitado entrar em detalhes, Fred Faria confirmou as consultas. "Houve sondagens a mim e a ele, mas nada oficial ainda. Não temos previsão de virar algo oficial de imediato". Atualmente, ambos os clubes têm apenas duas opções para o setor em seus elencos: após acertar o empréstimo de Patric ao Vitória, o Atlético conta com Marcos Rocha e Carlos César, enquanto o Cruzeiro tem Ezequiel e Mayke à disposição.

Alan Silva: assistência contra o Atlético
(Créditos: Esporte Clube Democrata/Divulgação)

O diretor de futebol celeste adotou discurso semelhante. "Houve um contato do representante dele comigo, mas nenhuma situação oficial por parte do Cruzeiro. É um jogador com potencial, interessante, mas a viabilidade para trazê-lo é uma situação que, neste momento, não existe", pontuou Klauss Câmara, que terá a chance de acompanhar Alan Silva in loco no dia 09 de abril, no Mineirão, em duelo pela 11ª rodada.

Procurado pela reportagem na noite dessa quarta-feira, o presidente do Atlético, Daniel Nepomuceno, não atendeu à ligação.

Despedida da Pantera em abril

Embora tenha contrato com o Democrata até a primeira quinzena de maio, Alan Silva deve fazer sua despedida diante do Cruzeiro, no dia 09 de abril, uma vez que a Pantera não tem mais chances de classificação às semifinais. Com passagens pelas categorias de base de Galo e Raposa, o baiano não chegou a atuar profissionalmente por ambos. Longe de Minas Gerais, viveu sua melhor fase no Icasa/CE, em 2015.

22/03/2017

Abril: a hora da verdade para o Cruzeiro

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

O Cruzeiro é, agora, o último invicto entre os 20 clubes da Série A. O que isso significa? Nada. Ok! Para não ser tão injusto, digamos que vale pouco. E, se ainda não podemos exaltar todo esse período de invencibilidade, a principal razão é o fato de termos sido pouco desafiados até agora. Isso não significa que o time não passou por dificuldades. Pelo contrário: as dificuldades são muitas e, o quanto antes forem percebidas, melhor. O que quero dizer é que o Cruzeiro ainda não foi testado à vera. À exceção do clássico pela Copa da Primeira Liga, não enfrentou adversários à altura ou que tenham os mesmos objetivos nesta temporada.


Pois, se o problema era esse, abril certamente virá para resolvê-lo. O quarto mês do ano reserva, entre outras coisas, a disputa da quarta fase da Copa do Brasil contra o São Paulo; o confronto de ida diante do Nacional, do Paraguai, pela Copa Sul-Americana; e o segundo clássico do ano contra o Atlético, agora válido pelo Campeonato Mineiro, além dos mata-matas do estadual. Não faltarão oportunidades para que Mano Menezes e a torcida observem e, enfim, descubram o real potencial do elenco celeste.

Rafael Sóbis: artilheiro azul em 2017
(Créditos: Washington Alves/Cruzeiro)

Elenco que, por sinal, será cada vez mais necessário daqui para frente. Com lesões musculares, Henrique e Robinho desfalcarão a equipe por várias semanas. A meu ver, é o preço do desgaste natural do calendário, aliado à pouca rotatividade adotada pelo treinador. Embora tenha bastante material humano, Mano vem escalando os mesmos nomes e, com frequência, fazendo as mesmas substituições. Sinto falta de Lucas Silva, Romero, Marcos Vinícius, Mayke, Hudson, Ábila e Bryan. Jogadores que, dadas as circunstâncias, poderiam receber mais oportunidades, poupando outras peças. No entanto, não quero dar uma de engenheiro de obras prontas. Bola para frente.

Dedé: retorno após 387 dias

Na contramão dessas duas baixas, o retorno de Dedé foi uma excelente notícia. O zagueiro voltou a campo na noite dessa terça-feira, no empate com o Joinville, em Santa Catarina. Com a tradicional camisa 26, Dedé foi o capitão celeste na partida válida pela Copa da Primeira Liga, que serviu para dar ritmo a alguns jogadores que serão muito importantes durante a temporada e, também, para testar outros que não se mostraram tão bem com o manto celeste.

Dedé fez bom jogo contra o Joinville
(Créditos: Geraldo Bubniak/Cruzeiro)

O Cruzeiro tem tudo para superar os desafios que abril e o restante do ano nos reservam. Mas acredito que esteja faltando um pouco de agressividade à Raposa. Vejo a equipe dominando os jogos, marcando bem os adversários, criando diversas oportunidades, mas pecando na hora de concluir as jogadas. Isso pode custar muito caro quando do outro lado estiver um time mais qualificado do que os enfrentados até agora. Contra o Tombense, por exemplo, apesar de insistir de várias formas, dois pontos ficaram pelo caminho. Dependendo das circunstâncias, dois pontos podem ser a diferença entre uma classificação ou não, um título ou não.

Mas vamos com tudo. A hora é de união e confiança no trabalho. Terminar março e chegar o mais preparado possível para abril, maio, junho e, até, quem sabe, com mais algumas faixas de campeão no peito em dezembro. Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, torcedor cruzeirense desde junho de 1986.
@pqnofx, atual camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!