03/12/16


Lançado por técnico mineiro no Juventude, gaúcho se destacou em
Patos e, ao longo da carreira, foi alvo de quatro equipes do estado

Vinícius Dias*

Bastaram 12 partidas com a camisa da URT para que Jakson Follmann se transformasse em um dos grandes nomes da história do clube de Patos de Minas. Campeão mineiro do interior, o goleiro, que atuou no Trovão entre janeiro e abril, acertou com a Chapecoense em maio - informação que, à época, compartilhou via mensagem com o Blog Toque Di Letra. Passados quase sete meses, e diante de uma tragédia à qual sobreviveu, restam em Minas Gerais boas lembranças.


Ex-comandante da URT, Ademir Fonseca revela que, durante o Mineiro, um membro da então comissão técnica do Cruzeiro mostrou interesse. "Após o jogo contra o Atlético, tiraram informação dele comigo", diz. Há menos de três semanas, foi a vez do Villa Nova. O técnico Leston Júnior chegou a conversar diretamente com o goleiro, que pontuou a intenção de seguir em Chapecó. Na sequência, o Leão do Bonfim fechou com Fernando Henrique, ex-Fluminense, apresentado na quinta-feira.

Goleiro chegou a Chapecó em maio
(Créditos: Chapecoense/Flickr/Divulgação)

A recusa se deveu ao espaço que vinha conquistando. De quarto goleiro, Follmann já havia se tornado reserva imediato. "Ele dizia: 'estou treinando bem, o ambiente é ótimo. O Nivaldo (goleiro, de 42 anos, que é ídolo da torcida e não viajou à Colômbia) me ajuda demais, é um grande amigo'", relembra o agente Luiz Paulo Chignall. Ao mesmo tempo, nos bastidores, ganhava força a possibilidade de saída de Danilo. "Se ele fosse negociado, Follmann talvez jogasse o estadual (como titular)", completa.

Estreia com treinador mineiro

Curiosamente, a relação com o futebol mineiro teve início muito antes da vinda para a URT. Formado nas divisões de base do Juventude, o gaúcho estreou como titular em 2012, quando a equipe alviverde era dirigida pelo belorizontino Alexandre Barroso. "Fui eu que o lancei. Em um jogo com o Internacional, no Beira-Rio", rememora o treinador, que, naquele mesmo ano, viu aparecer a primeira oportunidade de transferência do goleiro para um clube de Minas Gerais.

Barroso durante passagem por Caxias
(Créditos: Site Oficial do Juventude/Divulgação)

O interessado era o Boa Esporte. "Fui procurado pelo pessoal, falei que ele tinha qualidade, mas o Follmann (à época, com 20 anos) preferiu seguir no Rio Grande do Sul", afirma. Meses depois, o goleiro foi para o Grêmio, de onde saiu no fim de 2015. A intenção de Alexandre Barroso era voltar a trabalhar com o pupilo neste ano, no Uberlândia. "(Não deu certo) por uma questão de quatro ou cinco dias. Ele já havia assinado com a URT, onde foi muito bem", comenta.

Capitão do pai, ídolo de filhos

Em Patos de Minas, chamou a atenção o fato de o gaúcho ter se tornado capitão aos 23 anos. Em meio a elogios, Ademir Fonseca justifica. "Atleta com liderança, comprometido, arrojado, rápido, seguro e muito amigo dos companheiros". O treinador, responsável por levar o time às semifinais do estadual, ainda revela um drama particular. "Meus filhos, gêmeos de oito anos, têm o Follmann como ídolo. Os pequenos estão sofrendo com o que aconteceu e orando muito por ele", relata.

Follmann ao lado de Roberto Miranda
(Créditos: Site Oficial da URT/Divulgação)

Presidente do clube, Roberto Miranda destaca que, no que dependesse do goleiro, a passagem por Patos de Minas não teria terminado em abril. "Ele conversou com a gente para que renovássemos o contrato dele. Mas não tínhamos a estrutura (financeira). Você pode perguntar a toda a diretoria: um cara bom demais da conta, exemplar fora de campo", diz. Os laços, contudo, jamais serão esquecidos. "A assessoria está programando, junto com a torcida, uma homenagem a ele".

*Atualizada às 19h05

02/12/16


Com destaque para o goleiro Fernando Henrique, ex-Fluminense, o
clube apresentou 14 caras novas e tem outros seis nomes definidos

Vinícius Dias

Com direito a homenagem à Chapecoense por parte do vice-presidente de futebol Tiago Tito, que discursou vestindo a camisa do clube, o Villa Nova apresentou nessa quinta-feira 14 caras novas para o Campeonato Mineiro. Dois dos nomes - zagueiro Gladstone e o volante Fernando China - haviam sido antecipados pelo Blog Toque Di Letra na segunda-feira.

Leston Júnior ao lado de Tiago Tito
(Créditos: Rodrigo Ferreira/Villa Nova A.C.)

A estrela do elenco é o goleiro Fernando Henrique, de 33 anos. Campeão brasileiro e da Copa do Brasil pelo Fluminense, o paulista defendeu o Remo nas últimas duas temporadas. No início deste ano, trabalhou com Leston Júnior, novo comandante do Leão do Bonfim.

Elenco do Leão do Bonfim para 2017
(Créditos: Rodrigo Ferreira/Villa Nova A.C.)

Além dos apresentados nessa quarta-feira, o elenco alvirrubro tem outros seis nomes definidos: o goleiro Renan Rinaldi, ex-Penapolense; o lateral-direito Osvaldir, ex-Remo; o lateral-esquerdo Bruno Ré, ex-Mogi Mirim; o volante Leandro Pereira, ex-URT, e os atacantes Leozinho, ex-Fortaleza, e Roni, ex-Mogi Mirim.

Lista de atletas apresentados:

Goleiros: Fernando Henrique e Thiago Régis
Lateral-esquerdo: Williams Júnior              
Zagueiros: Gladstone, Lula e Mateus Alves             
Volantes: China, Jhonathan, Luís Mário e Paulo Vitor           
Meia-atacantes: Arthur Faria e Djalma           
Atacantes: Richard Tank e Robertinho

01/12/16


Francisco Battistotti exalta gestão do clube catarinense e deseja
que após tragédia filiados emprestem atletas arcando com custos

Vinícius Dias

Em clima de luto pela tragédia com o voo da Chapecoense, na Colômbia, dirigentes dos clubes da Primeira Liga vão se reunir na próxima terça-feira, em Florianópolis. A expectativa é de que no encontro - agendado desde a semana passada - sejam debatidas alternativas de apoio à agremiação do Oeste catarinense, uma das fundadoras da entidade. O presidente do Avaí, por exemplo, já definiu a medida que sugerirá.


"Minha proposta será de que consigamos ceder alguns atletas, com custo pago pelos clubes, para que a Chapecoense tenha condições de começar a disputar o Campeonato Catarinense, a partir de 29 de janeiro, e a Primeira Liga (a rodada inicial acontecerá no dia 22)", revelou Francisco Battistotti, que também ocupa a vice-presidência da entidade de clubes do eixo Sul-Minas-Rio, ao Blog Toque Di Letra.

Francisco Battistotti em reunião do Avaí
(Créditos: Carlos Alberto Ferreira/Avaí F.C.)

Depois da tragédia, diversos clubes brasileiros abriram a possibilidade de "empréstimo gratuito de atletas para a temporada de 2017". No caso da Primeira Liga, o dirigente defende que os filiados também arquem com os custos. "Eu conversei com o CEO José Sabino e pedi a ele que convocasse todos os presidentes, e não (que os clubes) mandassem representantes", completou, pontuando a relevância do tema.

Aumento de cota em pauta

Questionado sobre um possível remanejamento de cotas de TV - o acordo deve render à entidade quase R$ 70 milhões em três anos - em prol do Verdão, Francisco Battistotti não descartou, emendando elogios à gestão atual. "A Chapecoense é um clube estruturado financeiramente, muito bem administrado, com gente nova e capacidade suficiente. Mas nada impede que a gente venha a conversar com os outros parceiros".

Chapecoense é filiada à Primeira Liga
(Créditos: Mailson Santana/Fluminense F.C.)

Na condição de presidente do Avaí, com volta à Série A garantida, ele se disse disposto a debater a hipótese de não rebaixamento da Chapecoense nos próximos anos, mas evitou adiantar sua posição.

30/11/16


Paulo Vinícius Macedo, que trabalhou com o goleiro na URT, antes
do acordo com a Chapecoense, destaca que teve terça-feira difícil

Vinícius Dias

A tragédia com o voo da Chapecoense, na Colômbia, transformou a terça-feira em um dos dias mais difíceis da vida de Paulo Vinícius Macedo. O carioca, preparador de goleiros há 17 anos, trabalhou de dezembro a abril passados com Jakson Follmann - um dos seis sobreviventes - na URT, de Patos de Minas, onde o goleiro se destacou antes de assinar com o clube catarinense até dezembro de 2017.


Sem conseguir contato com os familiares do goleiro, Paulo Vinícius teve de acompanhar via imprensa as atualizações sobre o estado de saúde daquele que classifica como "melhor profissional" com que trabalhou. Triste com a notícia da amputação da perna direita de Follmann, ele se manifestou em vídeo enviado ao Blog Toque Di Letra nesta quarta-feira.

video

"Foi um grande privilégio trabalhar com você, neste ano, na URT. Fizemos uma campanha incrível, chegando às semifinais do Campeonato Mineiro. E você foi um dos responsáveis por chegarmos tão longe", diz. "O primeiro a chegar em campo, último a sair e capitão. Uma figura relevante, que, em breve, estaria na seleção brasileira", completa o preparador de goleiros, já com a voz embargada.

Nota de ex-clube de Follmann

Após a confirmação da tragédia, a URT se manifestou nessa terça-feira por meio de nota assinada pela professora Suelen D'arc, orientadora da equipe da assessoria de comunicação do clube.