25/09/16


América está invicto há quatro jogos e, mantendo rendimento,
chegaria a 43 pontos, marca que evitou queda em 60% dos anos

Vinícius Dias

Embora o América siga na lanterna do Campeonato Brasileiro, os torcedores alviverdes tiveram motivos para festejar nos últimos 14 dias. Entre a 24ª e a 27ª rodadas, com empates contra Ponte Preta e Figueirense, fora de casa, e triunfos consecutivos no Independência diante de Internacional e Botafogo, a equipe comandada por Enderson Moreira registrou sua melhor sequência nesta edição da competição.


Conquistando oito pontos de 12 possíveis, o Coelho registrou aproveitamento de 66,7% no período. Números que, repetidos nas 11 rodadas finais, fariam o clube alcançar 43 pontos, com boa chance de evitar a queda. Em dez edições disputadas no atual formato - pontos corridos, com 20 clubes e 38 rodadas -, somente cinco equipes, em quatro temporadas diferentes, foram rebaixadas tendo conquistado 43 pontos ou mais.

Equipe celebra vitória sobre o Botafogo
(Créditos: Carlos Cruz/América FC/Divulgação)

Outros números evidenciam a importância da sequência nos últimos quatro jogos: os cinco gols marcados, por exemplo, representam mais de 25% dos tentos assinalados em toda a competição. Pior mandante até a 25ª rodada, o América ultrapassou Cruzeiro e Santa Cruz no quesito depois de conquistar vitórias em casa. Visando ampliar a série invicta, a equipe alviverde voltará a campo diante do Coritiba, no Couto Pereira, no dia 03 de outubro.

Composição da zona de rebaixamento:

2006 - Santa Cruz (28 pontos) a Ponte Preta (39 pontos)
2007 - América/RN (17 pontos) a Corinthians (44 pontos)
2008 - Ipatinga (35 pontos) a Figueirense (44 pontos)
2009 - Sport (31 pontos) a Coritiba (45 pontos)
2010 - Grêmio Barueri (28 pontos) a Vitória (42 pontos)
2011 - Avaí (31 pontos) a Atlético/PR (41 pontos)
2012 - Figueirense (30 pontos) a Sport (41 pontos)
2013 - Náutico (20 pontos) a Portuguesa (44 pontos)*
2014 - Criciúma (32 pontos) a Vitória (38 pontos)
2015 - Joinville (31 pontos) a Avaí (42 pontos)

*Caíram duas equipes com mais de 43 pontos

23/09/16


Segundo levantamento, América, Atlético e Cruzeiro já escalaram
126 atletas na temporada, superando índice do último ano em 15%

Vinícius Dias

A cerca de três meses do fim das competições de 2016, América, Atlético e Cruzeiro já levaram a campo mais jogadores do que durante todo o ano passado. De acordo com levantamento realizado pelo Blog Toque Di Letra, os três clubes de Belo Horizonte, somados, já testaram 126 atletas nesta temporada - em 2015, foram 109. De lesões em série a apostas equivocadas no mercado, passando por convocações para seleções, diversos fatores explicam a alta rotatividade.


Dos 126 escalados em pelo menos uma partida entre janeiro e setembro, 35 já deixaram os elencos, o que corresponde a 27,8%. Esse índice supera o de aproveitamento de jogadores com passagem pelas respectivas categorias de base, por exemplo. Em meio ao constante entra e sai, dois atletas fizeram a estreia na temporada há apenas 26 dias: o volante Denílson, do Cruzeiro, e o atacante Nilson, do América, acionados pela primeira vez na 22ª rodada do Campeonato Brasileiro.

(Arte: Vinícius Dias/Blog Toque Di Letra)

Antes de analisar especificamente a situação da Raposa - equipe que, conforme os dados do levantamento, utilizou 43 jogadores neste ano -, o diretor de futebol Thiago Scuro fez uma observação sobre o cenário nacional. "O futebol brasileiro deveria restringir o número de jogadores inscritos em todas as competições, como acontece nas ligas europeias. Como aqui não existe limite, essa cultura dos clubes de contratar a temporada inteira permanece, o que facilita tanto (a rotatividade nos elencos)".

Coelho: 30% já deixaram elenco

Somados os períodos de Givanildo Oliveira, Sérgio Vieira e Enderson Moreira, atual treinador, o América já aproveitou 40 atletas, dois a mais do que em todo o ano passado. Desses, 12 já deixaram o CT Lanna Drummond. "Algumas contratações realmente não renderam aquilo que era esperado, e nós fomos atrás de melhorias no elenco. Foi a saída, mas não era planejado ter essa quantidade de jogadores contratados", reconhece Euler Almeida, um dos presidentes do clube.

Matheusinho: prata da casa em destaque
(Créditos: Carlos Cruz/América FC/Divulgação)

Embora em termos de elenco o Coelho cumpra a meta de ter 30% de pratas da casa entre os profissionais, a presença em campo segue aquém. Apenas sete atletas formados na base atuaram - 17,5% do total. "Precisamos ter cautela para lançar esses jogadores, principalmente em um campeonato difícil como a Série A", justifica o dirigente. "Temos os goleiros Jory e Glauco, (os volantes) Makton e Renato Bruno, que ainda não tiveram oportunidades, mas vêm sendo relacionados", completa.

Atlético: rotatividade crescente

O Atlético é o clube belorizontino que, na comparação com a temporada passada, registrou maior aumento no número de atletas acionados: de 32 para 43, o que sinaliza crescimento de 34,4%. "Isso se deve a uma série de fatores, entre eles o grande número de lesões que a gente teve neste ano. O Atlético precisou recorrer muito não só aos considerados suplentes como aos jogadores das categorias de base", comenta à reportagem o diretor de comunicação Domênico Bhering.

Urso e Robinho: caras novas de 2016
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Em nove meses, Diego Aguirre e Marcelo Oliveira testaram 15 pratas da casa nas escalações, representando 34,9% do total. O clube alvinegro foi o que menos negociou jogadores aproveitados anteriormente: dez saídas. Por outro lado, entre as peças que seguem no elenco, sete foram desfalques por convocações para seleções no ano. "Você tem de montar um elenco baseado na possibilidade de lesões, de convocações e ainda precisa ter força para superar o calendário brasileiro", diz Bhering.

Raposa: um a cada três da base

Registrando alta rotatividade, a exemplo de 2015, o Cruzeiro divide a liderança com o Atlético neste ano. Da estreia diante do Criciúma, em janeiro, ao duelo com o Botafogo, na quarta-feira, 43 atletas foram a campo - superando os 39 da temporada passada. Desses, 13 já deixaram o elenco. Somados os trabalhos de Deivid, Paulo Bento e Mano Menezes, o clube também teve alto percentual de utilização da base: 14 nomes com passagem pela Toca da Raposa I foram aproveitados: 32,5% do total.

Élber e Alisson: base forte no Cruzeiro
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Divulgação)

Diante dos números citados, o diretor de futebol Thiago Scuro pontuou o planejamento celeste. "O Cruzeiro deu continuidade a um projeto de renovação do elenco dentro de uma realidade financeira que enfrentamos em 2016. É preciso lembrar que as receitas de patrocínio, bilheteria e venda de atletas no futebol caíram muito nos últimos meses, o que dificultou a contratação de grandes estrelas e, por isso, tivemos também que apostar mais na promoção de jovens da base".

21/09/16


Corinthians e Flamengo são os dois mais populares; Cruzeiro se
destaca no Facebook, Atlético soma mais seguidores no Twitter

Vinícius Dias

Cruzeiro e Atlético estão entre os dez clubes brasileiros mais populares nas redes sociais. O América aparece na 35ª posição. Os dados são resultado de levantamento realizado nesta semana pelo Ibope Repucom. Tendo como base as estatísticas das contas oficiais em quatro plataformas - Facebook, Twitter, Instagram e Youtube -, o instituto elaborou um ranking digital reunindo os 20 participantes do Campeonato Brasileiro da Série A e os 15 clubes com maiores bases digitais das Séries B e C.


Comumente apontados em pesquisas como os clubes com maior número de torcedores no Brasil, Corinthians e Flamengo também aparecem na dianteira no cenário digital. "Tamanho de torcida, sem dúvida, é um dos fatores-chave para o tamanho das mídias sociais, mas não o único. Qualidade do conteúdo e engajamento também têm muita importância", argumenta ao Blog Toque Di Letra o diretor-executivo do Ibope Repucom, José Colagrossi Neto.

(Arte: Ibope Repucom/Divulgação)

Em médio prazo, mais do que acumular curtidas na página do Facebook ou seguidores no perfil do Twitter, um trabalho de qualidade nas plataformas digitais representa um ativo importante para os clubes do ponto de vista da busca por patrocínios, por exemplo. "Na medida em que os patrocinadores desejam ter engajamento com os torcedores, uma maior conexão torcedor-clube torna isso mais viável", pontua Colagrossi Neto.

Youtube tem menos adesões

Conforme o levantamento, os 35 clubes brasileiros mais populares nas redes sociais mantêm contas em Facebook, Twitter e Instagram. A plataforma com menos adesões é o Youtube, devido às ausências de Náutico e Joinville. O Atlético, embora utilize, não divulga o número de inscritos em seu canal. 

20/09/16

Desculpe, preciso falar de Pratto

Alisson Millo*

Ouvi o nome dele pela primeira vez há mais de dois anos, durante a Copa Libertadores, em razão dos dois gols contra o Atlético/PR. Essa frase poderia ilustrar um capítulo de livro de título. Mas o Vélez Sarsfield acabou eliminado nas oitavas de final. Ele seguiu lá, no entanto, se destacando. Logo em uma posição para a qual o Atlético precisava de reforços. Incrivelmente, depois de alguns meses, ele estava aqui. Jamais esquecerei: chegou como melhor jogador do Campeonato Argentino.


Quando os zagueiros saíam do chão, ele subia ainda mais alto. Quando resolviam encará-lo, os deixava de joelhos. Quando tentavam no corpo, ele resistia e seguia em frente. Como um urso, esbanjando raça e até superando Tardelli. Foi um caso de idolatria à primeira vista acompanhada da certeza de que ele havia nascido para aquilo. Eu passava dias discutindo com torcedores do rival, que diziam ter o melhor atacante. Rodada a rodada, gol a gol, conquistava mais argumentos.

Lucas Pratto: gols e vibração em 2015
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

A relação teve início quando ele tinha 26 anos, mas o manto alvinegro parecia ser desde sempre sua segunda pele. Marcou gols em quase todas as competições que disputou. Foi coadjuvante algumas vezes, afinal ninguém é perfeito. Mas foi raçudo e decisivo várias, com 22 gols em 54 jogos - pesquisei agora. Sofri nos raros jogos em que ele perdeu chances, sorri quando marcou três contra o São Paulo. Conheci um centroavante que era segundo atacante, marcador quando necessário.

História ainda em construção

Mas uma hora o ano acabou. Não foram fáceis os dias sem jogos e sem a vibração dele. A nova temporada começou, veio a sonhada chance na seleção argentina, mas os gols por aqui ficaram mais escassos. Neste semestre, em 12 partidas, fez apenas um. Agora, não há uma quarta-feira ou domingo em que eu não o questione. Infelizmente, tudo parece muito distante do que já foi, porém sigo acreditando. O título brasileiro, por exemplo, me faria levá-lo para sempre na memória.

Argentino tem um gol neste semestre
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Nesse domingo, outra vez, o vi decepcionar - como quase todo o time, é verdade. Mas a única certeza que tenho é a de que o conto de fadas não acabou. O capítulo atual é doloroso, mas as páginas finais continuam em branco. Cabe a Lucas Pratto, com o apoio de seus companheiros e do torcedor, escrevê-las. Peço desculpas pelo transtorno, mas a verdade é que só se cobra de quem pode mais. Muito mais.

*Jornalista, atleticano, corneteiro confesso desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!