23/05/2017


Algoz alvinegro em 1998, time paranaense chega a mata-mata com
64% de aproveitamento em 2017 e sem sofrer gols há sete partidas

Vinícius Dias

Na noite desta quarta-feira, diante do Paraná, o Atlético inicia a caminhada em busca do bicampeonato da Copa do Brasil. O embate no Couto Pereira marcará o reencontro entre tricolores e alvinegros após quase dez anos. O último duelo entre as equipes aconteceu na 34ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2007: 0 a 0, no Mineirão, no dia 31 de outubro. Rebaixado naquele ano, o clube paranaense segue fora da Série A, mas chega às oitavas de final com bons números.


Atualmente comandado pelo jovem técnico Cristian de Souza, o Paraná disputou 25 partidas neste ano: 13 vitórias, nove empates e três derrotas. O aproveitamento de 64% é o quinto melhor entre os clubes que disputam a Série B - em casa, foram nove vitórias e cinco empates em 14 jogos. Com apenas nove gols sofridos, o tricolor ainda tem a melhor defesa. O goleiro Leo Vieira foi vazado pela última vez no clássico diante do Atlético/PR, pelas quartas de final do estadual, no dia 02 de abril.

Paraná está invicto como mandante
(Créditos: Robson Mafra/Paraná Clube)

"Será o maior jogo da história recente do clube", assegura o jornalista Guilherme Moreira, responsável pela cobertura do futebol paranaense no Lance! "Os últimos jogos com apelo nacional foram diante do Palmeiras, em 2012 (nas oitavas de final da Copa do Brasil) e 2013 (na Série B)", relembra. A expectativa da diretoria do Paraná é de que as arquibancadas do Couto Pereira recebam mais de 15 mil torcedores nesta quarta-feira - o recorde tricolor na temporada é de 13 mil.

Grande evento no Couto Pereira

A mobilização em torno das oitavas de final teve início na semana passada. "O clube vem promovendo o evento nas redes sociais, mídia e com coletivas. Nessa segunda-feira, por exemplo, as taças dos paranaenses de 1991 e 1996, conquistadas no Couto Pereira, estiveram ao lado da diretoria, do atual capitão Brock e de Renaldo, ex-atacante de Paraná e Atlético", comenta o jornalista. Com a camisa alvinegra, Renaldo disputou 183 jogos e marcou 79 gols, dois deles contra o tricolor.

Coletiva sobre o duelo nessa segunda
(Créditos: Paraná Clube/Twitter/Divulgação)

A partida será a 21ª entre os clubes: desde 1995, foram oito vitórias para cada lado e quatro empates. Na Copa do Brasil, o retrospecto é favorável ao Paraná, que levou a melhor em 1998. "Difícil (repetir), mas possível. O time tem uma defesa consistente e sofreu apenas um gol como mandante na temporada. É bom considerar que ainda não enfrentou um ataque poderoso como o do Galo. O maior problema é o setor ofensivo, que não se acertou e tem muita rotatividade de atletas", analisa Moreira.

22/05/2017


Nos bastidores, equipes discutem alternativas de formatos e datas
para torneio; eliminados, catarinenses querem revisão de estadual

Vinícius Dias

Depois de uma primeira fase marcada pela escalação de times alternativos nesta edição, a Copa da Primeira Liga deverá ter mudanças para a próxima temporada. Nos bastidores, o modelo atual é visto com ressalvas, e dirigentes dos clubes filiados já discutem alternativas de formatos e datas para a disputa. Com diretos de transmissão negociados até 2020, outro tema em pauta é a internacionalização da competição, que atualmente conta com representantes de seis estados.


Uma das ideias apresentadas neste sentido, conforme o Blog Toque Di Letra apurou, foi a de transformação da Copa da Primeira Liga em torneio sub-23. "Alguns países europeus, como a Alemanha, têm como foco atletas mais jovens e, por isso, não acompanham tanto as competições do Brasil. Nesses moldes, emissoras estrangeiras poderiam adquirir e transmitir no exterior, justamente para que acompanhem as promessas do futebol nacional", argumenta um interlocutor.

Torneio deve ser reformulado em 2018
(Créditos: Luiz Henrique/Flickr/Figueirense F.C.)

Bem vista por Cruzeiro e Atlético, a proposta divide opiniões na entidade. Entre os clubes que inicialmente se mostraram reticentes, uma das ponderações é de que a limitação de idade poderia, na prática, resultar em menor aceitação por parte dos torcedores brasileiros.

Pré-temporada e Copa do Mundo

Com jogos entre janeiro e outubro nesta edição, a Copa da Primeira Liga deverá ter menor duração no próximo ano. "Teria que ser renovada e, principalmente, criada a condição de um torneio novo, em uma fase em que não haja coincidência com campeonatos em andamento", comenta o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan. Entre as possibilidades discutidas estão a disputa de junho a julho, aproveitando a pausa no calendário para a Copa do Mundo, e no período de pré-temporada.

Primeira Liga teve clássico em fevereiro
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Recentemente, o mandatário tricolor apresentou uma sugestão elaborada pelo coordenador técnico Valdir Espinosa. "Seria com mais clubes, ao estilo do que existe na Itália, disputado em 45 minutos na pré-temporada", revela Bolzan. No país europeu, o torneio tem duração de um dia e reúne três equipes, que disputam dois jogos de 45 minutos cada. Triunfo no tempo regulamentar vale três pontos. Em caso de empate, há pênaltis, com dois pontos para o vencedor e um para o derrotado.

Revisão do Catarinense em pauta

Entre os catarinenses, já eliminados, a prioridade é a revisão da fórmula do estadual. "Temos 20 datas. Isso não deu condição de os clubes jogarem com os titulares", pondera Francisco Batistotti, presidente do Avaí e vice da Primeira Liga. "A federação já sabe que a proposta do Avaí é fazer com 16 datas", antecipa. O Leão faturou cerca de R$ 750 mil por três jogos da Copa, contra cerca R$ 650 mil por três meses de estadual. Casso tivesse avançado às quartas, haveria premiação extra.

20/05/2017


Argentino soma 42 desarmes e três assistências em 18 duelos nesta
temporada; média é superior à dos dois primeiros anos de Cruzeiro

Vinícius Dias

Desfalque na reta final do Mineiro e na estreia no Brasileirão, Ariel Cabral está de volta aos planos no Cruzeiro. Recuperado de trauma na região pélvica sofrido no dia 19 de abril, diante do São Paulo, em duelo pela quarta fase da Copa do Brasil, o camisa 5 será um reforço de peso para a sequência. Condição justificada pelos números. Mesmo fora das últimas seis partidas, Ariel se manteve como líder do elenco em desarmes: foram 42 em 18 atuações, com média de 2,3 por jogo, segundo o Footstats.


Embora tenha antecipado a presença do volante na lista de relacionados para o confronto com o Sport, neste domingo, na Ilha do Retiro, Mano Menezes manteve a dúvida sobre o time titular. "Estou satisfeito com Hudson, Henrique e os outros jogadores. Mas, enquanto Ariel jogou, também estava plenamente satisfeito com a produção dele", pontuou o treinador, citando outro ponto forte do argentino. "É um pouco mais segundo jogador de meio-campo, participa mais da armação das jogadas".

Ariel: presença defensiva e ofensiva
(Créditos: Lucas Bois/Light Press/Cruzeiro)

Considerado um dos principais passadores da equipe celeste, o camisa 5 somou três assistências nas 18 apresentações em 2017, superando as estatísticas das duas primeiras temporadas pelo clube. "Mano pede para eu estar sempre preparado taticamente e começar a jogar, no ataque e também ajudando a defesa. Estou fazendo isso, buscando melhorar jogo a jogo", destacou Ariel, em março, antes do confronto de volta com o Murici, válido pela terceira fase da Copa do Brasil.

Ariel ano a ano - dados do Footstats:

2017 - 18 partidas - 42 desarmes / 3 assistências
2016 - 46 partidas - 73 desarmes / 0 assistência
2015 - 19 partidas - 32 desarmes / 1 assistência

19/05/2017


Em quatro meses, foram contabilizados 17 casos no Brasil; número
corresponde a 85% do total registrado durante a última temporada

Vinícius Dias

De janeiro a abril, o futebol brasileiro registrou, em média, um caso de racismo por semana. Resultado de levantamento do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, ao qual o Blog Toque Di Letra teve acesso com exclusividade, os números apontam o recorde de denúncias em um início de temporada desde 2014, ano de criação da entidade. Foram 17 incidentes nos primeiros 120 dias - quatro por meio de redes sociais/TV e 13 em estádios, em sete estados diferentes. A lista de vítimas inclui jogadores, treinadores, funcionários de estádios e torcedores.


"O maior problema é que o Brasil é um país racista, mas não se assume como tal. Atos racistas e atitudes preconceituosas se tornaram tão normais em nosso dia a dia que nem os consideramos mais uma violência", analisa Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório. "Algumas expressões já não são mais ditas graças à luta de centenas de movimentos que combatem a discriminação racial, mas outras expressões resistem disfarçadas de brincadeiras ou apelidos. É preciso dar mais importância ao que dizem as vítimas, e não a quem comete o racismo", emenda.

Entidade luta contra racismo desde 2014
(Créditos: Observatório da Discriminação/Arquivo)

Discurso corroborado pelo historiador Thiago Costa. "Negar a existência da violência, silenciando o problema, também pode ser considerado uma forma de coerção da informação", pontua o coordenador do Museu Brasileiro do Futebol, no Mineirão. "Vivemos em uma sociedade que, de modo geral, cultua a violência em várias formas. O esporte está inserido nela, e não é somente prática esportiva, é prática social, de lazer e de cultura. Assim, a segregação que ocorre na sociedade desde os períodos mais antigos também é refletida no esporte", acrescenta.

Falta de ações é ponto negativo

Em breve, o Observatório da Discriminação Racial no Futebol fará o lançamento do relatório referente ao último ano. Foram elencados 27 casos, sendo sete ocorridos na internet e 20 em estádios - cinco em São Paulo, estado recordista, e pelo menos um por região do país. "Os números de 2016 são muito parecidos com os de 2014, primeiro ano do relatório, e sinalizam que a diminuição em relação a 2015 (35 casos) foi apenas casual, o que fica evidente com o crescimento absurdo dos números nesses primeiros meses de 2017", revela Marcelo Carvalho.

(Arte: Vinícius Dias/Blog Toque Di Letra)

Para o diretor-executivo, um dos pontos negativos é a falta de ações por parte de clubes e instituições públicas e privadas ligadas ao esporte. "Estão preocupados apenas em apagar os focos de incêndio e esconder o problema ou fingir que ele não existe", aponta. De janeiro a abril deste ano, a entidade também registrou casos de racismo no vôlei e no futebol americano, além de homofobia e xenofobia no futebol. "O Brasil vive um momento perigoso. A violência e o ódio às minorias estão evidentes em todos os lugares, sem constrangimento algum de quem os pratica", lamenta.

Futebol mineiro na 3ª colocação

De 2014 a 2016, Minas Gerais foi o terceiro estado com maior número de denúncias de racismo: seis, ao lado de Paraná e Santa Catarina - superados apenas por São Paulo, com 11 casos, e o líder Rio Grande do Sul, com 17. Um novo incidente ocorreu no estadual deste ano. De acordo com a súmula do jogo entre URT e Caldense, válido pela 1ª rodada, foi registrado "boletim de ocorrência por suposta injúria racial ao treinador da Caldense, Thiago Oliveira". O crime de injúria racial tem punições previstas no Código Penal e no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

Marcelo Carvalho, em evento, com Tinga
(Créditos: Observatório da Discriminação/Arquivo)

Em meio à 15ª Semana Nacional de Museus, o tema estará em pauta no Museu Brasileiro do Futebol, no Mineirão, neste sábado. "Elegemos três grandes silêncios do futebol: machismo, diversidade sexual e racismo", destaca o coordenador Thiago Costa. Marcelo Carvalho será um dos participantes. "O exercício de refletir e debater sobre esses temas ajuda na troca de experiências e aprendizados para pensarmos em uma sociedade que respeite mais as diferenças. Portanto, a ideia central nessa semana é dar voz a esses grupos", completa, na esperança por dias melhores.