23/09/2017

Cruzeiro, você precisa ganhar essa copa!

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

O Cruzeiro precisa ganhar uma copa. Precisa. A torcida precisa, necessita, está faminta por ganhar uma copa. Tudo bem que fomos bicampeões brasileiros de maneira brilhante recentemente, mas estou - e sei que toda a torcida cruzeirense está - ansioso por vencer uma final. Um jogo. Noventa minutos de tensão que terminem em completa euforia. Ser campeão nacional foi fantástico, foram rodadas após rodadas de um futebol muito bem jogado que nos deixou orgulhosos. Em compensação, em copas e em mata-matas em geral, desde 2013 sofremos de uma estranha síndrome.


Se analisarmos todas as competições das quais participamos de 2013 para cá, com exceção dos campeonatos brasileiros, ou o Cruzeiro foi campeão, ou foi finalista, ou foi eliminado pelo campeão. De verdade. Nessas 15 disputas, a Raposa foi campeã de uma, finalista em quatro, teve o caminho interrompido pelo campeão em outras oito oportunidades e, neste ano, caiu para clubes que continuam nas disputas. Ou o Cruzeiro é campeão ou você é campeão se eliminar o Cruzeiro. Vamos aos fatos. 

Cruzeiro mira o penta da Copa do Brasil
(Créditos: Rafael Ribeiro/Light Press/Cruzeiro)

Em competições sul-americanas, o Cruzeiro foi eliminado em 2014 e em 2015 nas quartas de final por dois times argentinos que viriam a ser campeões da Copa Libertadores na sequência: San Lorenzo e River Plate, respectivamente. Já na Copa Sul-Americana, a única participação celeste no período foi justamente neste ano, quando caiu prematuramente diante do Nacional, do Paraguai, na primeira fase. O Nacional segue vivo, tendo se classificado para as quartas de final, cujo adversário será o Independiente.

Entre vices e quedas prematuras

Nos campeonatos estaduais, como é de se esperar, a presença nas fases finais é muito mais frequente. Nos anos de 2013 e 2017, foi vice-campeão. Em 2015 e 2016 parou nas semifinais, perdendo os confrontos para os campeões Atlético e América, na ordem cronológica. Em 2014, foi campeão. Até na Copa da Primeira Liga a estatística confirma essa curiosa coincidência: na primeira edição, ano passado, o Cruzeiro não passou da fase de grupos. Entretanto, no grupo, estava o campeão Fluminense. Já neste ano, de maneira frustrante o time celeste não conseguiu superar o Londrina na semifinal. Os paranaenses enfrentarão o rival Atlético na decisão.

Paixão e fé: os torcedores cruzeirenses
(Créditos: Rafael Ribeiro/Light Press/Cruzeiro)

E a sina não mudou quando o assunto é Copa do Brasil. Em 2013, o Cruzeiro perdeu o jogo de volta para o Flamengo nas oitavas de final e acabou caindo: Flamengo campeão. Em 2014, finalista e vice-campeão diante do Atlético-MG. Um ano depois, mais uma vez nas oitavas, o algoz foi o Palmeiras, campeão sob a batuta de Marcelo Oliveira. Ano passado, contrariando o retrospecto diante dos gaúchos, fomos eliminados na semifinal pelo Grêmio, que ganharia o torneio e se tornaria o maior vencedor da história

Mais uma vez estamos na final. Podemos vingar 2013, 2016, voltar a dividir a hegemonia da Copa do Brasil com o Grêmio e, de quebra, soltar o grito a tanto tempo preso em nossas gargantas. Foi um caminho árduo até aqui. Com exceção das primeiras fases, nenhuma classificação foi tranquila e todas as etapas vencidas foram muito comemoradas e nos colocam em pé de igualdade com nosso adversário, que tem um time muito qualificado e quer vencer essa final tanto quanto nós. Precisamos de um diferencial. Energia positiva, vibração, apoio, fé. Confiar no time e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para voltar a vencer uma copa.

Precisamos vencer uma Copa. Merecemos vencer uma Copa!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

22/09/2017


Levantamento a partir das análises de 112 lances, de 98 jogos, indica
36 erros graves dos árbitros em 24 rodadas de Campeonato Brasileiro

Vinícius Dias

O gol marcado por Jô no último domingo, completando com o braço cruzamento de Marquinhos Gabriel diante do Vasco, representou o 36º erro grave de arbitragem neste Campeonato Brasileiro. O número é resultado de levantamento feito pelo Blog Toque Di Letra a partir das análises de decisões divulgadas rodada a rodada pela CBF. Considerando os 112 lances apresentados, de 98 jogos, o Cruzeiro está entre os clubes contra os quais os árbitros mais erraram. O Corinthians lidera o ranking de equívocos a favor, enquanto o Atlético/MG tem saldo zerado.


Em meio ao debate sobre o uso do árbitro de vídeo a partir da rodada deste fim de semana, além das não expulsões, o levantamento classificou como graves os casos de gol/não foi gol e pênalti/não foi pênalti, cujas marcações, a princípio, poderiam ser revisadas com o auxílio da tecnologia. Com base neste critério, 36 dos 40 erros listados pela CBF foram contabilizados. A lista reúne 19 penalidades não marcadas e três inexistentes assinaladas, três situações em que deveria ter sido aplicado cartão vermelho, sete gols irregulares validados e quatro mal anulados.

Galo: pênalti não assinalado em dérbi
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Os erros das 24 rodadas foram divididos a favor de 18 clubes e contra 16 - apenas a Ponte Preta não aparece em nenhuma das duas listas. Além do Cruzeiro, Atlético/PR, Botafogo, Vitória e Palmeiras tiveram quatro lances contrários assinalados. Por outro lado, o Corinthians teve quatro favoráveis. Os paulistas lideram a classificação por erros, elaborada pela reportagem considerando as decisões que beneficiaram ou prejudicaram os 20 clubes e tendo como critérios de desempate número e tipo - lances de gol, pênalti e expulsão, nesta ordem - de equívocos a favor.

Erros em jogos de Atlético e Cruzeiro

Entre os 112 lances destacados nas análises da CBF, dois tiveram o Atlético/MG como prejudicado: um pênalti não marcado no clássico com o Cruzeiro, válido pela 11ª rodada, e um gol mal anulado no confronto contra o Coritiba, na 17ª rodada. Na partida no Couto Pereira, marcada por polêmicas, também ocorreu uma das duas decisões que beneficiaram o alvinegro na competição: a penalidade não assinalada a favor da equipe paranaense. Erro semelhante ao da 10ª rodada, quando a arbitragem deixou de marcar pênalti para a Chapecoense, em duelo na Arena Condá.

Raposa: pênalti não marcado ante o líder
(Créditos: Marcello Zambrana/Light Press/Cruzeiro)

Dos 36 erros contabilizados, sete aconteceram em partidas que tiveram o Cruzeiro em campo. Os árbitros deixaram de assinalar quatro penalidades para o time comandado por Mano Menezes até o momento: nos embates contra Chapecoense, na 4ª rodada; Corinthians, na 7ª; Avaí, na 16ª; e Sport, na 21ª. Por outro lado, em três oportunidades, não foram marcados pênaltis a favor de adversários da Raposa neste Campeonato Brasileiro: um para a própria Chapecoense, na 4ª rodada; outro para o rival Atlético, na 11ª; e o mais recente para o Palmeiras, na 12ª.

Classificação por erros de arbitragem - Série A:

Corinthians - quatro a favor, dois contra / saldo = dois a favor
Grêmio - três a favor, um contra / saldo = dois a favor
Santos - dois a favor, nenhum contra / saldo = dois a favor
Fluminense - dois a favor, nenhum contra / saldo = dois a favor
Vasco - dois a favor, um contra / saldo = um a favor
Sport - dois a favor, um contra / saldo = um a favor
Flamengo - um a favor, nenhum contra / saldo = um a favor
Chapecoense - três a favor, três contra / saldo = zero
Coritiba - dois a favor, dois contra / saldo = zero
Atlético/MG - dois a favor, dois contra / saldo = zero
São Paulo - um a favor, um contra / saldo = zero
Atlético/GO - um a favor, um contra / saldo = zero
Avaí - um a favor, um contra / saldo = zero
Ponte Preta - nenhum a favor, nenhum contra / saldo = zero
Cruzeiro - três a favor, quatro contra / saldo = um contra
Bahia - nenhum a favor, um contra / saldo = um contra
Botafogo - dois a favor, quatro contra / saldo = dois contra
Vitória - dois a favor, quatro contra / saldo = dois contra
Palmeiras - dois a favor, quatro contra / saldo = dois contra
Atlético/PR - um a favor, quatro contra / saldo = três contra

21/09/2017


Criador da torcida, que tem 42 cadeirantes, se reuniu com dirigente
em maio; desejo é uma categoria cativa para PNEs e acompanhantes

Vinícius Dias

Do duelo de volta das semifinais da Copa do Brasil, quando mais de 55 mil torcedores assistiram ao triunfo sobre o Grêmio, à partida de pior público pagante do Cruzeiro nesta temporada, com menos de 5 mil diante do Tricordiano, o setor vermelho inferior teve um rosto em comum na maioria dos jogos no Mineirão: Leônidas Bisneto. Nem mesmo a mobilidade reduzida é entrave para o torcedor, de 29 anos, que geralmente é acompanhado pela mãe, Soraya Galvão. "Neste ano, não devo ter ido a apenas um. É raro eu deixar de ir", afirma ao Blog Toque Di Letra.


Sócio Cruzeiro Sempre desde dezembro de 2013, o triplégico se vale da possibilidade oferecida aos associados da categoria para adquirir dois ingressos e acessar o estádio com um acompanhante, que o auxilia na locomoção. "Sou carregado da cadeira de rodas para o carro, do carro para a cadeira. Tenho que ser empurrado", revela. Nos últimos meses, no entanto, a presença no estádio também tem marcado a mobilização para que o benefício seja transformado em garantia com a criação de uma categoria exclusiva para Portadores de Necessidades Especiais - PNEs.

Ação envolvendo cadeirantes no estádio
(Créditos: Cristiane Mattos/Arquivo Pessoal)

Fundador da torcida Cruzeiro Eficiente, que atualmente conta com 42 membros cadeirantes, Leônidas se reuniu no dia 15 de maio com o gerente do programa Sócio do Futebol, Bernardo Mota, a fim de apresentar as reivindicações. "Essa categoria facilitaria a compra dos nossos ingressos, já que (os não-sócios) têm muitas dificuldades de comprar nas bilheterias, além de elas não possuírem a altura ideal para os cadeirantes", exemplifica. Desde então, está na expectativa por novidades. "Vai beneficiar todas as pessoas com necessidades especiais", ressalta.

Mobilização e palavra do Cruzeiro

O objetivo de Leônidas é que o Cruzeiro crie uma categoria cativa para PNEs. Os associados pagariam um valor mensal fixo e teriam direito a dois ingressos por partida como mandante: um para o titular do cartão, outro para o acompanhante. "Todos os integrantes da torcida Cruzeiro Eficiente têm a intenção de fazer esse sócio, desde que isso nos ajude e evite os problemas que sempre acontecem. Porque tem que facilitar para a gente e para o acompanhante", frisa. "(Os que hoje não são sócios), por exemplo, não precisariam mais sair de casa", acrescenta.

Leônidas e Sabrina Moreira na reunião
(Créditos: Torcida Cruzeiro Eficiente/Arquivo)

Consultado, o clube celeste se posicionou nessa quarta-feira. "O Cruzeiro Esporte Clube está estudando um formato para que possa atender à reivindicação. Assim que tivermos uma definição iremos informar a todos os que nos procuraram relatando a viabilidade de uma nova categoria de sócio", destacou o setor responsável pela área de sócios do futebol, por meio do departamento de comunicação.

Concessionária projeta novidades

Responsável pelo setor vermelho inferior, onde fica a área para PNEs, a Minas Arena se mostrou receptiva à ideia. "Recebemos a demanda do Cruzeiro para criar um programa de sócios para pessoas com deficiência aqui no Mineirão. Essa solicitação foi muito bem recebida e há conversas para que seja mais um produto disponível para o torcedor. Esperamos que possamos anunciar novidades em breve", disse via assessoria de imprensa.

20/09/2017


Treinador baiano tem aproveitamento 1,4% superior ao gaúcho, com
leve melhora na zaga e ataque, mas sofre com jejum dos artilheiros

Vinícius Dias

A derrota por 2 a 0 para o Bahia na Arena Independência, em jogo válido pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, marcou o fim da era Roger Machado no Atlético. O gaúcho, que deixou o time com 20 pontos em 45 disputados, foi substituído por Rogério Micale. Prestes a completar dois meses no cargo, o treinador campeão olímpico em 2016 tem números muito semelhantes aos do antecessor no torneio e vê o alvinegro distante do G6, definido pelo presidente Daniel Nepomuceno como obrigação.


O baiano esteve à frente do Atlético em oito rodadas. Com ele, a equipe somou 11 dos 24 pontos possíveis, com aproveitamento de 45,8%. Roger Machado, por sua vez, conquistou 44,4% dos pontos disputados do jogo de abertura do Campeonato Brasileiro, diante do Flamengo, no Maracanã, à demissão. Nas 15 primeiras rodadas, o Galo registrou o 11º melhor aproveitamento. Nas últimas oito, período que corresponde à era Micale, aparece em 10º lugar, a seis pontos do líder Atlético/PR.

Roger e Micale: campanhas semelhantes
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Com Roger, o alvinegro balançou as redes 16 vezes - média de 1,07 por jogo - e sofreu 17 gols - média de 1,13 - na competição. Com Rogério Micale, os números tiveram leve melhora. Foram nove gols marcados e nove sofridos, média de 1,125 por jogo. O ponto baixo é o rendimento da dupla de ataque considerada ideal: Robinho e Fred ainda não marcaram sob o comando do baiano. O jejum do camisa 7 está perto de completar quatro meses, enquanto o camisa 9 não marca há mais de dois meses.

Atlético com Roger Machado - Série A:

Partidas disputadas: 25 / Aproveitamento: 44,4%
Retrospecto: cinco vitórias, cinco empates e cinco derrotas
Gols pró: 1,07 por rodada / Gols contra: 1,13 por rodada

Atlético com Rogério Micale - Série A:

Partidas disputadas: oito / Aproveitamento: 45,8%
Retrospecto: três vitórias, dois empates e três derrotas
Gols pró: 1,125 por rodada / Gols contra: 1,125 por rodada