26/08/16


Treinador tem se dedicado a período de estudos em clubes do
continente; roteiro passa por Real Madrid, Lyon e Fenerbahçe

Vinícius Dias

Encerrada sua primeira experiência como treinador, à frente do Cruzeiro, Deivid tem se dedicado, por ora, a um período de intercâmbio no futebol europeu. A iniciativa tem como foco a troca de experiências com atletas e comissões técnicas de clubes do continente, especialmente em relação às metodologias de treinamento. A primeira parada foi no Real Madrid, onde Deivid foi recebido por Roberto Carlos, hoje diretor institucional do clube. No momento, está em Lyon, na França.


"Temos visto todos os treinos e jogos (da equipe) e temos trocado ideias diariamente com os membros da comissão técnica do profissional e alguns atletas, como o (lateral brasileiro) Rafael, que a cada treino faz questão de nos passar o que sentiu", comenta ao Blog Toque Di Letra. O treinador está na cidade do lado do preparador físico Daniel Félix, ex-Flamengo. Os dois têm como anfitriões Cláudio Caçapa, hoje auxiliar técnico do Lyon, e Cris, que comanda a equipe sub-19.

Daniel Félix e Deivid em visita ao Lyon
(Créditos: Arquivo Pessoal/Deivid de Souza)

Conforme a programação inicial, o intercâmbio se estenderá por mais três semanas. Os próximos destinos serão Portugal e Turquia. O roteiro inclui visitas às instalações do Fenerbahçe, clube turco que Deivid defendeu por cinco temporadas, e dos portugueses Sporting Lisboa, onde atuou entre 2005 e 2006, Sporting Braga e Estoril, comandado pelo brasileiro Fabiano Soares há duas temporadas.

Aprendizado na Europa

A oportunidade de reviver o dia a dia do futebol europeu, agora fora dos campos, é especial para Deivid. "Está sendo fantástico. Estudar é sempre muito importante e complementar o que vivi aqui como jogador com toda essa teoria está sendo muito gratificante", avalia. "Tenho reforçado alguns conceitos que já tinha e agregado outros. Acredito que esse é o caminho para me tornar um profissional melhor", completa.

Ao lado de Roberto Carlos, em Madrid
(Créditos: Arquivo Pessoal/Deivid de Souza)

A relação do iguaçuano com o Cruzeiro teve seu capítulo inicial em 2003, quando o então atacante integrou o elenco da Tríplice Coroa. Vendido ao francês Bordeaux ainda na temporada 2003-2004, passou 12 anos longe do clube. O retorno, no posto de auxiliar, ocorreu no último ano, quando trabalhou com Luxemburgo e Mano Menezes. Promovido em dezembro, o treinador comandou a Raposa em 17 jogos oficiais, com 10 vitórias, cinco empates e duas derrotas.

25/08/16


Herói do inédito ouro olímpico, arqueiro se destacou em duelo
diante do Cruzeiro; noite teve Tite e Rogério Micale na plateia

Vinícius Dias

Herói do inédito ouro olímpico, no último sábado, no Maracanã, o goleiro Weverton utilizou Belo Horizonte como atalho para vestir a amarelinha. O enredo da surpreendente primeira convocação aos 28 anos passou pelas presenças de Tite e Rogério Micale na partida entre Cruzeiro e Atlético/PR, em julho, no Mineirão. Em coletiva durante o intervalo, Tite chegou a ser questionado sobre uma possível presença do cruzeirense Fábio em listas futuras. Mas foi o arqueiro atleticano quem brilhou.


A apresentação de Weverton na vitória rubro-negra foi motivo de elogios em rápido diálogo entre os treinadores ainda em camarote do Gigante da Pampulha. "Ele fez uma partida muito boa (diante do Cruzeiro). Futebol é oportunidade", sintetiza o mineiro Carlos Alberto Silva, técnico da seleção entre 1987 e 1988, que acompanhou aquele duelo ao lado de Tite, Micale, do coordenador de seleções Edu Gaspar e dos comandantes das equipes nacionais sub-15 e sub-17.

Weverton teve ótima atuação no Mineirão
(Créditos: Gustavo Oliveira/Site Oficial/Atlético-PR)

A convocação da seleção olímpica havia saído duas semanas antes, tendo Fernando Prass e Uilson como opções para o gol. Entretanto, a cinco dias da estreia, em Brasília, diante da África do Sul, o palmeirense foi cortado devido a uma fratura no cotovelo. Mesmo inicialmente fora da pré-lista de 35 nomes, Weverton herdou a vaga e, em seis partidas como titular com Rogério Micale, sofreu apenas um gol.

Vaga na seleção principal

Da seleção olímpica à principal, menos de 48 horas se passaram. Na lista oficializada na segunda-feira, o camisa 12 do Atlético/PR faz companhia a Alisson, da Roma, e Marcelo Grohe, do Grêmio. Além do desempenho na caminhada do ouro e do perfil pessoal, Tite listou a regularidade no clube para explicar a convocação. "Ele já vinha fazendo grandes campeonatos", afirmou o treinador, que fará a estreia na próxima quinta-feira, diante da seleção equatoriana, em Quito.

24/08/16

Atlético: seleção em preto e branco

Alisson Millo*

Por acreditar e, sobretudo, por comemorar vários títulos, o Atlético subiu bastante de patamar nesses últimos anos. Antes com elencos medianos, que se traduziam em times com poucas perspectivas, o Galo agora tem a oportunidade de lutar por troféus nacionais e internacionais e contar com diversos craques e jogadores de seleções. Nesta semana, por exemplo, o volante Rafael Carioca foi chamado por Tite. Justiça com um dos melhores meio-campistas do Brasil.


Além do camisa 5, outros três jogadores do alvinegro foram convocados neste mês. O meia Otero, que ainda busca espaço no Atlético, é o camisa 10 e nome frequente na seleção da Venezuela, por exemplo. Lucas Pratto foi chamado pela primeira vez para atuar pela seleção argentina. Ainda em recuperação de lesão, o zagueiro Erazo figurava na lista do Equador, mas acabou cortado na sequência.

Pratto: goleador de sotaque argentino
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Lucas Pratto merece um parágrafo à parte. Tendo jogadores como Tevez, Higuaín, Palacio, Icardi e outros grandes nomes à disposição, receber uma chance na seleção argentina logo após uma lesão reafirma a qualidade do atacante atleticano. Raçudo, finalizador nato e com muita aplicação tática, Pratto tem tudo para se firmar com Bauza e receber novas chances. Bom para valorizar ainda mais o jogador que deve render um bom dinheiro ao Atlético na sequência.

Dois campeões olímpicos

No último sábado, Douglas Santos e Uilson conquistaram o ouro olímpico no Rio de Janeiro. Reconhecido pela eficiência ofensiva, o lateral-esquerdo foi titular ao longo de toda a edição das Olimpíadas, demonstrando ainda muita qualidade no aspecto defensivo - em seis partidas, a seleção sofreu somente um gol. Uilson não chegou a atuar, mas é cria da base do Galo e participar de um título inédito como esse não é para qualquer um. Então, deve ser valorizado.

Douglas Santos com o ouro olímpico
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Além da dupla olímpica, o elenco conta com atletas que foram a Copas do Mundo. Victor, Robinho e Fred fazem parte do seleto grupo de jogadores que estiveram em um Mundial pela seleção pentacampeã. O camisa 7, por sinal, conquistou a Copa América de 2007 - foi eleito craque do torneio, inclusive -, além de duas Copas das Confederações. Fred também estava em 2007 e ainda foi campeão da Copa das Confederações, em 2013, com direito a gol na decisão diante da Espanha.

Mais nomes selecionáveis

Com participações esporádicas, Marcos Rocha, o capitão Léo Silva, Fábio Santos e Carlos Eduardo também já tiveram a honra de atuar na seleção. Cazares, por sua vez, disputou a Copa América deste ano pelo Equador e deve ter novas chances após se recuperar de lesão e voltar a brilhar pelo Galo. E se a Argentina agora convoca Lucas Pratto, no passado foi Dátolo quem teve oportunidades.

Cazares: talento equatoriano em BH
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Mesmo tendo no elenco 15 atletas com passagens por seleções principais ou olímpicas de seus países, o atleticano jamais deve invocar a 'Selegalo'. Esse termo remete a uma etapa malsucedida da história que, espero, não se repetirá. Que o Atlético siga brigando por títulos, atraia cada vez mais craques e seja cada vez maior.

*Jornalista, atleticano, corneteiro confesso desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

23/08/16


Com mais três pódios conquistados na edição de 2016, judô se
afirma como modalidade de mais sucesso em história olímpica

Vinícius Dias

Mesmo não tendo atingido a meta traçada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a delegação tupiniquim fez história ao conquistar sete ouros, seis pratas e seis bronzes no Rio de Janeiro. O melhor desempenho registrado em 96 anos de Olimpíadas foi também fundamental para que, somadas as quatro edições mais recentes, o país praticamente igualasse o número de medalhas alcançadas ao longo das oito primeiras décadas de participação nos chamados Jogos de Verão.


Do debut verde e amarelo em Olimpíadas, na edição de 1920, realizada na cidade belga de Antuérpia, aos Jogos da australiana Sydney, em 2000, o retrospecto aponta 66 medalhas conquistadas em 80 anos: 12 ouros, 19 pratas e 35 bronzes. De Atenas, em 2004, ao Rio de Janeiro, emplacando suas quatro melhores participações na competição em um intervalo de 12 anos, os representantes do Brasil alcançaram 62 medalhas: 18 ouros, 17 pratas e 27 bronzes.

Isaquias Queiroz: três medalhas no Rio
(Créditos: Roberto Castro/Brasil2016.gov.br)

A edição recém-encerrada teve 71 participações de brasileiros nas finais - em Londres, há quatro anos, foram 36 - e também marcou o recorde de modalidades no pódio: 19 medalhas obtidas em 12 esportes. No enredo, capítulos como os inéditos ouros no futebol, boxe e salto com vara, com direito a recorde olímpico; prata no tiro esportivo após 96 anos; e os três primeiros pódios da canoagem olímpica, coroando Isaquias Queiroz como maior medalhista do país em uma edição.

Esportes com mais pódios olímpicos:

Judô (22) - quatro ouros, três pratas e 15 bronzes
Vela (18) - sete ouros, três pratas e oito bronzes
Atletismo (16) - cinco ouros, três pratas e oito bronzes
Vôlei de praia (13) - três ouros, sete pratas e três bronzes
Natação (13) - um ouro, quatro pratas e oito bronzes