31/03/2016


Após passagem pelo futebol indiano, defensor pretende voltar a
disputar Série A, mas garante não ter sido contatado pelo clube

Vinícius Dias

Mesmo depois de contratar o centroavante Borges, a diretoria do América segue no mercado em busca de reforços experientes para o campeonato nacional. Um dos nomes mais especulados nos bastidores é o de Chicão, zagueiro que foi campeão mundial pelo Corinthians em 2012. Em contato com o Blog Toque Di Letra, o atleta, de 34 anos, garantiu não ter sido procurado oficialmente, mas deixou em aberto a possibilidade de vestir a camisa do Coelho.


"A princípio, não houve contato. Mas já ouvi comentários também, até de pessoas próximas, me perguntando se eu tinha acertado com o América. Falei que não estava sabendo de nada", revelou o zagueiro, que não atua desde dezembro, quando encerrou seu vínculo com o Delhi Dynamos, da Índia. "Seria interessante (acertar com o América), até porque é um clube que subiu, que vai querer se manter na Série A e montar um bom time", acrescentou Chicão.

Chicão deixou a Índia em dezembro
(Créditos: Delhi Dynamos/Divulgação)

Com passagens bem sucedidas por Corinthians e Flamengo, o experiente defensor, que está prestes a festejar 35 anos, está longe dos gramados nacionais desde junho passado, quando deixou o Bahia. No momento, os planos passam por voltar a disputar o Campeonato Brasileiro, torneio que conquistou em 2011. "Mesmo tendo conquistado tudo na carreira, tenho ambição", assegurou. Sem vínculo com empresários, ele tem gerenciado a própria carreira atualmente.

'América pode surpreender'

Mostrando conhecimento sobre o elenco americano, Chicão citou a equipe como possível surpresa da Série A. "De repente um clube como o América pode surpreender muitos, como já aconteceu com o Figueirense, o Sport, que vem fazendo excelentes campanhas. O time tem jogadores de nome, como Borges e o Leandro Guerreiro, que está aí há um tempo", analisou. "De repente, se ocorrer alguma situação, quem sabe a gente possa estar junto com o time", disse ainda.

Título da Copa do Brasil pelo Flamengo
(Créditos: Gilvan de Souza/Flamengo.com.br)

A reportagem do Blog tentou contato com Alencar da Silveira e Marco Antônio Batista, membros do Conselho de Administração do América, mas não teve sucesso.

30/03/2016

Borges no América: o que esperar?

Vinícius Dias

Quatro títulos brasileiros conquistados nos últimos nove anos, passagem pela seleção, terceiro maior artilheiro da era dos pontos corridos - iniciada em 2003 -, com 98 gols. Borges chega ao América com status de grande reforço para a temporada de volta à elite, quase 90% de aprovação por parte do torcedor e um currículo de respeito. Mas, passada a euforia e o clima de festa da apresentação, o que esperar do atacante, de 35 anos, dentro de campo?


Os números apontam dois lados. Em 2013, melhor de suas três últimas temporadas, Borges fez 39 de 60 partidas possíveis (presença em 65%) com a camisa do Cruzeiro e registrou 19 gols. Em 2014, foi acionado pelo técnico Marcelo Oliveira em 19 de 71 jogos (ausência em 73%) e balançou as redes duas vezes. Pela Ponte Preta, no último ano, participou de 31 de 51 partidas (presença em 60%) disputadas depois de sua contratação e marcou seis gols.

Borges: goleador a serviço do América
(Créditos: Carlos Cruz/América FC/Divulgação)

Em outras palavras, Borges teve uma ausência a cada dois duelos e, em média, um gol a cada três presenças. A marca de 27 gols em três anos é insuficiente para tratá-lo como candidato a herói - embora nenhuma das opções de Givanildo Oliveira para a linha de frente tenha marcado tantas vezes -, mas o centroavante tende a ser útil. Experiência, bom pivô, boa capacidade de definição - para um time que tem a baixa média de 1,08 gol por jogo na temporada.

O histórico de gols e ausências de Borges em três anos é claro.
Como a tendência de que ajude muito o Coelho. Quando jogar.

29/03/2016


Depois de quase se aposentar na última temporada, goleiro fez
bons jogos pelo Lajeadense e, agora, encara desafio no Atlético

Vinícius Dias

De quase aposentado a novo reforço alvinegro. Em menos de um ano, a trajetória do goleiro Lauro teve uma reviravolta. Depois de se despedir do Lajeadense no domingo, diante do Grêmio, em duelo pela 11ª rodada do Gaúcho, o arqueiro, de 35 anos, chega ao Atlético com a dura missão de suprir a lacuna deixada pelas lesões de Victor e Giovanni. Para destacar a atual condição do jogador, o Blog Toque Di Letra ouviu dois jornalistas gaúchos que acompanharam seus últimos jogos.


"Ele começou muito irregular no Gauchão, com algumas falhas, mas foi muito bem contra a dupla Grenal e nos últimos jogos", ponderou Gabriel Corrêa, da Rádio Grenal. "Ainda tem experiência e pode ajudar bastante", acrescentou. Com nove pontos em 11 rodadas, a equipe de Lajeado, na Região Central do Rio Grande do Sul, luta contra o rebaixamento. Titular absoluto, Lauro sofreu 15 gols.

Goleiro defendeu a Portuguesa em 2013
(Créditos: Guilherme Testa/Trato Assessoria)

Luciano Silveira, editor do El Enganche, no site do Fox Sports, eximiu o goleiro de culpa. "Não passa por ele o mau momento do Lajeadense". O jornalista também relembrou o fato de Lauro ter praticamente 'pendurado as chuteiras' após ficar sem clube no segundo semestre de 2015. "Apesar de ter anunciado a aposentadoria, ele ajudou como pôde o time que está perto de ser rebaixado", disse.

Boa condição física

Apesar do longo período de inatividade na última temporada, a condição física do goleiro, que será inscrito pelo Atlético para a sequência da Copa Libertadores, não preocupa. "Experiente e em boa forma, Lauro considera uma ótima oportunidade atuar pelo Galo (nesses próximos três meses)", pontuou Luciano Silveira.

Lauro em ação pelo Cruzeiro em 2006
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Reprodução)

Essa será a segunda passagem do arqueiro pelo futebol de Minas Gerais. Entre 2006 e 2007, ele defendeu o rival Cruzeiro. No período, conquistou um título estadual e foi a campo em 10 jogos. No Campeonato Mineiro de 2007, chegou a atuar diante do Atlético e levou a melhor: triunfo celeste, por 2 a 0, no Mineirão.


Ex-ponta do Atlético e filho de Telê Santana devem participar
de revezamento; percurso terá 6 km e passará por oito bairros

Vinícius Dias

Terra natal do ex-treinador Telê Santana, Itabirito vai receber a tocha dos Jogos Rio 2016 daqui a 45 dias. Em clima olímpico desde o carnaval, cuja decoração de rua neste ano foi inspirada nas cores e símbolos do evento esportivo, a cidade já se prepara para o dia histórico. "Estar entre as 300 cidades escolhidas é uma conquista fantástica e que valoriza o tanto que Itabirito vem fomentando o esporte", comemora o secretário municipal de Esportes, Alessandro Massaini.


De acordo com o cronograma oficial, Itabirito será a 25ª cidade de Minas Gerais a sediar o revezamento da tocha olímpica - ao longo de dez dias, serão 35 destinos no estado, do Triângulo à Zona da Mata. O evento em Itabirito está agendado para a tarde do dia 13 de maio. Antes, a chama passará pela vizinha Ouro Preto, que ostentou o título de capital mineira entre os séculos XVIII e XIX.

Percurso da tocha olímpica em Itabirito
(Arte: Google Maps/Reprodução)

O trajeto pelas vias itabiritenses terá cerca de seis quilômetros, passando por oito bairros. O percurso terá início em frente ao alto-forno, no bairro Esperança, chegando ao Terminal Rodoviário. O revezamento vai envolver 30 condutores, que percorrerão 200 metros com a tocha cada. Entre os prováveis nomes, conforme o Blog Toque Di Letra apurou, estão Renê Santana, filho de Telê Santana, e Silvestre Martins, ex-ponta de Atlético e Esporte Clube Siderúrgica.

Nos passos do mestre Telê

Curiosamente, o traçado contemplará três pontos marcantes da infância e da adolescência de Telê, com destaque para a casa na qual o ex-técnico viveu ao lado dos tios Maria e Eurico Silva, na avenida principal. A chama olímpica também passará em frente à sede náutica do Itabirense Esporte Clube, paixão da família de Santana em Itabirito, e ao estádio Dr. Alberto Woods Soares, do União Sport, clube que o 'Fio de Esperança' defendeu quando tinha 16 anos.

Silvestre: provável condutor da tocha
(Créditos: Arquivo Pessoal/Silvestre Martins)

Ao longo do trecho de seis quilômetros, haverá duas breves pausas no revezamento. Inicialmente, no Jardim São Cristóvão, onde está prevista a instalação de um monumento em alusão à data. A segunda, no Complexo Turístico da Estação, na região central da cidade, que será palco de uma cerimônia oficial.

Downhill no vídeo oficial

A cidade mineira também será cenário da gravação de trechos de um dos vídeos oficiais desta edição das Olimpíadas. A pista de downhill do Alto do Cristo foi o local definido pelos organizadores. As imagens vão registrar a performance de um ciclista itabiritense no percurso. "O visual da pista do Alto do Cristo é maravilhoso", destaca o secretário municipal de Esportes, Alessandro Massaini.

Downhill no Alto do Cristo de Itabirito
(Créditos: Prefeitura de Itabirito/Divulgação)

O ciclismo é, atualmente, um dos destaques do calendário esportivo local. No ano passado, por exemplo, Itabirito recebeu da Federação Mineira de Ciclismo o selo de 'Capital Mineira do Ciclismo' e foi sede de 12 provas de várias modalidades.

28/03/2016

Três pontos e mais um passo

Vinícius Dias

"Posição de goleiro é mais complicada, porque o reserva não tem o tempo de bola de um goleiro que vem atuando. Temos de colocar mais bolas na área e arriscar de fora. Tudo o que for possível, vamos tentar". Foram as palavras de Rafael Silva, na coletiva de terça-feira. Cinco dias depois, aos 29' da etapa final, Élber finalizou de longe, Uilson falhou e a bola sobrou para o atacante confirmar a profecia e estufar as redes do Independência em seu primeiro clássico pelo Cruzeiro.


Mas o bom jogo, com 28 finalizações, teve mais. Outra exibição segura do volante atleticano Rafael Carioca, com movimentação e bom aproveitamento nas trocas de passes. A atuação incontestável do goleiro cruzeirense Fábio - uma das cinco melhores entre 678 com a camisa azul estrelada. E, claro, não poderia faltar polêmica em torno da arbitragem - o volante Ariel Cabral deveria ter sido expulso, na etapa final, em lance no qual atingiu o atacante Hyuri, por exemplo.

Rafael Silva marcou o gol do clássico
(Créditos: Washington Alves/Light Press)

Para os treinadores, apesar dos 15 desfalques, o clássico da Páscoa deixa alguns recados. No lance do gol, Diego Aguirre - que fez a opção por um meio-campo menos combativo, escalando Júnior Urso em vez de Leandro Donizete - viu Élber ter tempo e espaço para explorar o espaço vazio na intermediária atleticana. Do outro lado, Deivid - embora o Cruzeiro tenha feito hoje sua melhor apresentação no ano - viu a equipe ter dificuldades para construir jogadas pelo lado direito.

Por ora, ainda é impossível saber aonde os times vão chegar.
Mas, ao ritmo de Rafael Silva, o Cruzeiro deu mais um passo.

25/03/2016

Reserva ou titular, Galo é Galo!

Alisson Millo*

Em minha última crônica, há três semanas, fiz uma defesa ao trabalho de Diego Aguirre. Naquela época, embora o Galo fosse líder de seu grupo na Copa Libertadores, o uruguaio vinha sofrendo algumas críticas. Hoje, elas praticamente não existem. Uma das melhores campanhas da competição sul-americana e a disputa da liderança no Mineiro, mesmo utilizando time alternativo, reforçam o bom aproveitamento. Mais do que isso, o 'rodízio' promovido pelo treinador deu ritmo de jogo a jogadores que, no clássico deste domingo, serão peças-chave.


Já que a Federação Mineira fez o favor de marcar o clássico em data Fifa, Cruzeiro e, principalmente, Atlético vão muito desfalcados para o principal confronto da primeira fase do campeonato estadual. Cazares e Erazo, no Equador, além de Douglas Santos e Clayton, no Brasil sub-23, vão fazer muita falta, especialmente devido à série de lesões. Os goleiros Victor e Giovanni, o polivalente Patric, o meia Dátolo e o atacante Carlos também não darão o ar da graça contra o rival.

Uilson terá chance de ouro no clássico
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

No domingo de Páscoa, a oportunidade conquistada por Uilson soa como coisa de Papai Noel. Aos 21 anos, o goleiro terá a grande chance no time profissional, logo em uma partida tão importante. É a oportunidade de o jovem reserva atuar ao lado de grandes nomes, com casa cheia e, quem sabe, sonhar em ameaçar São Victor. Utópico, a princípio, mas esse deve ser o pensamento do arqueiro para fazer um bom trabalho e garantir os pontos, principalmente nos jogos da Libertadores.

Com toda nossa raça...

O Galo vai a campo bastante remendado, com vários desfalques e uma ou outra improvisação. No entanto, não há desculpa. Vestiu o manto preto e branco, tem o dever de mostrar raça, partir para cima e buscar a vitória, especialmente contra o maior rival. Que seja esse, mesmo com atraso, o primeiro presente para os milhares de torcedores do Atlético, que celebra 108 anos nesta sexta-feira. 

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

24/03/2016

Enfim, a hora da verdade!

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

No domingo, o Cruzeiro entrará em campo para disputar o, até aqui, jogo mais importante dessa nova fase que o time está vivendo. Já estamos no fim de março, e a equipe ainda não conseguiu convencer seu torcedor de que, jogando da maneira como tem jogado, tem condições de alçar voos mais elevados. E, depois de várias partidas que deixaram má impressão, é chegada a hora de encarar o Atlético na Arena Independência para tentar, enfim, desfazer essa imagem.


Se por um lado os números não são ruins, as várias críticas não deixam dúvidas de que há, ainda, muito o que trabalhar para que a desconfiança diminua. O Cruzeiro só perdeu uma partida sob o comando de Deivid - a que muitos julgam como melhor atuação coletiva da equipe -, mas venceu outros tantos jogos sem conseguir se impor ante adversários muito mais frágeis que ele. E, a meu ver, o jogo de domingo será o divisor de águas: para o bem ou para o mal.

Time chega embalado por quatro vitórias
(Créditos: Juliana Flister/Light Press)

Como a equipe de Deivid está devendo, e muito, uma boa atuação para o torcedor, imagino que não exista hora nem local melhor para reconquistar uma parcela do apoio que é sempre fundamental, mas que não pode ser cobrado de forma incondicional. Se as sensíveis melhoras que o time vem apresentando ao longo do trimestre se mantiverem e as falhas que vimos acontecerem de maneira aleatória e sem explicações não forem repetidas, começaremos em pé de igualdade, pelo menos.

Alternativas para Deivid

Desfalcado de Arrascaeta e Alisson - a serviço das seleções do Uruguai e olímpica do Brasil, respectivamente -, o time deve perder em criatividade, mas ganhar velocidade, já que Pisano e Élber devem substituí-los. Outra possibilidade seria de Sanchez Miño avançar para o meio-campo e Fabrício voltar à lateral-esquerda, deixando Pisano e Élber na briga pela segunda vaga. De qualquer modo, a proposta de jogo do Cruzeiro deve mudar um pouco, o que não deixa de ser uma boa pedida.

Preocupado? Um pouco. Desanimado? Não. Confiante? Sempre.

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

22/03/2016


Diego Aguirre não poderá utilizar nove peças, enquanto Deivid
perdeu seis atletas; a lista inclui titulares e reservas imediatos

Vinícius Dias*

Em busca das formações ideais para o dérbi deste domingo, às 11h, na Arena Independência, os técnicos Diego Aguirre e Deivid terão de superar diversos desfalques. Do lado alvinegro estão confirmadas nove ausências. No time azul celeste, somando convocações para seleções e lesões, seis atletas estão fora dos planos da comissão técnica para o primeiro clássico desta temporada.

Algoz celeste, Carlos não joga domingo
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Com Victor e Giovanni fora, o uruguaio Aguirre terá de escalar Uilson na meta atleticana. A lista de baixas por lesão ainda tem o armador Dátolo, o atacante Carlos e o polivalente Patric. Os convocados são quatro: Erazo e Cazares para a seleção do Equador; além de Douglas Santos e Clayton na seleção olímpica do Brasil. A presença do atacante Huyri, desfalque ante o Tupi, segue como dúvida.

Willian desfalca o ataque cruzeirense
(Créditos: Fred Magno/Light Press)

No Cruzeiro, Deivid não poderá contar com três de suas principais peças ofensivas: os meias De Arrascaeta, convocado para a seleção uruguaia, e Alisson, na seleção olímpica do Brasil; além do atacante Willian, que ainda não se recuperou de lesão muscular. Por conta de contusões, o treinador celeste também não terá neste clássico o zagueiro Dedé, o meia-atacante Marcos Vinícius e o atacante Judivan.

*Atualizada às 11h25

21/03/2016


Em dois anos, foram registradas cinco denúncias em Minas, de
acordo com o Observatório da Discriminação Racial no Futebol

Vinícius Dias

Neste dia 21 de março, que marca a luta internacional pela eliminação da discriminação racial, o Brasil não tem motivos para comemorar quando se trata do esporte mais popular do país. Levantamento do Observatório da Discriminação Racial no Futebol - ao qual o Blog Toque Di Letra teve acesso com exclusividade - apontou um aumento de 75% no número de denúncias de racismo contra jogadores ou árbitros em território nacional entre 2014 e 2015. A lista de vítimas inclui nomes como Jemerson, Michel Bastos e Arouca, todos com passagem pela seleção.


Em 2014, foram registrados 20 casos, sendo 19 em estádios e outro na internet. Em 2015, foram 35 casos - 24 em estádios, 11 na internet. "O aumento das denúncias acontece pela maior conscientização das vítimas e também pelo encorajamento que denúncias anteriores promovem", avalia Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório. "Porém, ainda falta o mais importante, exigir punição. Exigir punição é registrar B.O. e ir adiante com a abertura de processo na justiça", pontua.

(Arte: Vinícius Dias/Blog Toque Di Letra)

O estado campeão em denúncias foi o Rio Grande do Sul: nos 24 meses, foram 14. Minas Gerais, por exemplo, somou cinco casos - três em 2015. Outra tendência apontada é a de migração do racismo de estádios para a internet. Carvalho elenca dois motivos. "Primeiro, a impressão que grande maioria dos internautas tem de que a internet é terra sem lei. E segundo que, diferente de crimes nos estádios, onde a Justiça Desportiva tem 60 dias para julgar os incidentes, julgamento na Justiça Comum pode durar anos", argumenta.

Punições previstas

Mestre em Direito, Gustavo Lopes de Souza explica que, nesse cenário, o ato de racismo caracteriza o crime de injúria racial, punível com a pena de reclusão de um a três anos, além de multa, conforme o Código Penal. Na esfera desportiva, a pena pode variar de cinco a dez jogos de suspensão, em caso de ato praticado por atleta ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de 120 a 360 dias, se praticado por dirigente, por exemplo. O Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) também prevê multa de R$ 100 a R$ 100 mil em ambos os casos.

Aranha foi vítima de racismo em 2014
(Créditos: Ivan Storti/Flickr/Santos FC)

O artigo 243-G abre ainda a possibilidade de punição aos clubes, variando desde perda de pontos a exclusão da competição. "Como ocorreu com o Grêmio na partida contra o Santos pela Copa do Brasil em 2014", lembra Lopes de Souza. Nos bastidores, porém, o texto é motivo de críticas. "A leitura é dúbia quando não define o número de torcedores (envolvidos no ato) para punir um clube", pondera o gerente-executivo do Observatório. Para os torcedores identificados, o CBJD prevê a proibição de entrada em estádios por, no mínimo, 720 dias.

Busca por soluções

Antônio Carlos da Silva, conhecido como Buião, foi vítima em um dos 20 registros de 2014. Em abril daquele ano, o então treinador do Vocem foi chamado de 'macaco' por torcedores do Bandeirante, de Birigui, em jogo válido pela Segunda Divisão do Paulista. Para ele, a solução está ligada à educação. "Em curto prazo, seria a punição. Mas tudo vem da educação. Temos de começar lá de baixo, reestruturando a educação. Assim, vamos colher os frutos lá na frente", afirma o ex-atacante do Palmeiras ao Blog Toque Di Letra.

Allano: resposta por meio do Instagram
(Créditos: Allano/Instagram/Reprodução)

Na lista das vítimas do último ano estão os nomes do cruzeirense Allano e do ex-atleticano Jemerson, ofendidos por meio de redes sociais. À época, Allano usou o Instagram para se posicionar. "Sinceramente, fico triste em saber que isso acontece ainda", disse. Em entrevista ao Blog, em junho, Jemerson lamentou a recorrência dos atos de racismo. "São pessoas com necessidade de aparecer, sabem que não vão ser punidas e que ninguém toma providência para acabar com isso".

Raio-X das punições

Relatório do Observatório da Discriminação Racial do Futebol referente a 2014 aponta que nove dos 19 casos registrados em estádios brasileiros naquele ano receberam punição no âmbito desportivo - TJD ou STJD. Na temporada passada, segundo levantamento realizado pela entidade, oito das 24 ocorrências foram julgadas pela Justiça Desportiva e apenas uma punição foi registrada, em caso que coube ao TJD/TO.

Gustavo Lopes analisa legislação atual
(Créditos: Arquivo Pessoal/Gustavo Lopes)

Questionado sobre a combatividade, o vice-presidente do IBDD, Gustavo Lopes de Souza, observa que a Justiça Desportiva tem atuação restrita. "Mas, independente disso, a Justiça Desportiva, especialmente o Pleno do STJD do futebol, a instância maior, está atenta ao racismo", pondera. "A grande questão é a necessidade de maior especialização jusdesportiva de auditores que, muitas vezes egressos de outras áreas, não possuem o conhecimento técnico e a vivência necessários", completa.

Racismo institucional

Em enquete realizada pelo Blog na última semana, 39% dos participantes disseram já ter presenciado ato racista em estádios país afora. Em meio a esse contexto, Marcelo Carvalho sustenta a tese de racismo institucional. "Das discussões sobre profissionalização, nos anos 1920, para cá, o negro ganhou importância no futebol por talento e técnica, mas não respeito. A presença insignificante de negros como técnicos e dirigentes retrata bem isso", argumenta.

Lula Pereira: de volta ao futebol no Ceará
(Créditos: Site Oficial do Ferroviário/Divulgação)

A análise corrobora a afirmação de Lula Pereira à Revista Placar em março de 2013. "Já ouvi de empresários: 'O pessoal do clube gostou do seu perfil, mas me desculpe, você é preto'", disse o pernambucano, à época desempregado. Longe dos holofotes do passado - Lula chegou a comandar o Flamengo -, ele retornou ao futebol neste ano como diretor de comissão técnica do Ferroviário, do Ceará. Andrade, o primeiro treinador negro a ser campeão brasileiro, por exemplo, não teve novas oportunidades na elite depois de deixar o Flamengo, em 2010.

Relatório do racismo

Na primeira semana de maio, o Observatório da Discriminação Racial no Futebol fará o lançamento do relatório referente aos casos registrados no ano passado. Além dos dados sistemáticos, inclusive os citados acima, a versão impressão trará análise de especialistas.

18/03/2016


Grupo de trabalho será coordenado por Carlos Alberto Torres,
Ricardo Rocha e Edmílson; temática é tratada como prioritária

Vinícius Dias

O grupo de trabalho que vai tratar do tema calendário nacional no recém-lançado Comitê de Reformas da CBF iniciará suas atividades nesta sexta-feira. Sob a coordenação dos ex-jogadores Carlos Alberto Torres, Ricardo Rocha e Edmílson de Moraes, o GT discutirá alternativas para o calendário do futebol brasileiro, entre elas, propostas visando ao alinhamento com o cenário internacional.

Discussão sobre calendário começa hoje
(Créditos: Rener Pinheiro/CBF/Divulgação)

Entre os cinco temas considerados prioritários no Comitê de Reformas, o calendário é o que mais tem despertado o interesse do público. Conforme levantamento apresentado pela CBF no fim de fevereiro, das mais de 260 sugestões recebidas por meio do site do comitê, cerca de 30% tratavam deste GT. Reforma do estatuto, com 19%, e futebol feminino, com 12%, apareciam a seguir.

Debates em andamento

Os grupos de trabalho sobre licenciamento e código de ética já realizaram seus primeiros encontros. As atividades do grupo sobre futebol feminino, coordenado pela ex-árbitra Ana Paula Oliveira e por Formiga, jogadora da seleção brasileira, serão iniciadas na próxima quinta-feira. Antes disso, na terça-feira, dia 22 de março, haverá uma reunião entre os 17 membros do comitê na sede da CBF.

16/03/2016


Competição nacional terá 48 clubes, que serão divididos em 12
grupos; módulo I do estadual vai definir os três times mineiros

Vinícius Dias

A CBF anunciou, nessa terça-feira, a mudança no formato de disputa do Campeonato Brasileiro da Série D. O torneio, que tem início previsto para dia 29 de maio, vai reunir 48 clubes - até o último ano, eram 40 - dos 27 estados nesta temporada. Com isso, o futebol mineiro ganhou uma vaga extra e passa a contar com três representantes, que serão definidos por meio do módulo I do estadual.


Em 2015, os dois mineiros na disputa foram Caldense e Villa Nova. O time de Poços de Caldas chegou às quartas de final, perdendo o acesso para o Ypiranga/RS, nos pênaltis, enquanto o Leão foi eliminado logo na primeira fase. Considerando a classificação atual do Campeonato Mineiro, as vagas deste ano ficariam com Villa Nova, Uberlândia e URT.

Série D terá 48 participantes neste ano
(Créditos: Fernando Torres/CBF/Divulgação)

A Série D, com a mudança no formato de disputa, terá 12 grupos com quatro clubes cada, com jogos de ida e volta. Os dois primeiros de cada grupo e os oito melhores terceiros colocados, somando 32 clubes, vão se classificar para a segunda fase, quando a competição passa a ser disputada em sistema de mata-mata.

Nove clubes em quatro divisões

Nesse cenário, o futebol mineiro terá nove equipes envolvidas nas quatro divisões do Campeonato Brasileiro. América, Atlético e Cruzeiro serão os representantes na elite nacional. O Tupi alcançou o acesso à Série B. Boa Esporte e Tombense disputarão a Série C.

15/03/2016


Convidado do Meio de Campo desse domingo, na Rede Minas, o
técnico do Villa Nova ainda falou sobre transição e curso da CBF

Da Redação

Convidado do programa Meio de Campo do último domingo, o técnico do Villa Nova, Wilson Gottardo, criticou a gestão do futebol nacional na Rede Minas. "O maior problema do futebol (brasileiro) não são os técnicos. Falo isso tranquilamente. É a gestão extracampo, problema seríssimo", disse, respondendo a uma pergunta feita pelo editor-chefe do Blog Toque Di Letra, Vinícius Dias.


O ex-zagueiro falou, ainda, sobre o processo de transição dos gramados para a área técnica e explicou detalhes do curso da CBF, que realizou em dezembro. "Existe o teórico e a prática. O curso tem aprovação da Fifa. Tivemos aulas de treinadores da Europa que vieram aqui e elogiaram". No período, Gottardo teve companheiro na Granja Comary o atual técnico do Cruzeiro, Deivid.



No domingo, os dois vão se reencontrar no Mineirão. A partir das 16h, o Leão do Bonfim enfrenta a Raposa, em partida válida pela 8ª rodada do Campeonato Mineiro.