21/08/2017


De outubro a dezembro, clube celeste escolherá novo presidente, a
mesa diretora do Conselho e os 220 efetivos para triênio 2018/2020

Vinícius Dias

Se em campo o Cruzeiro vive a expectativa pelo duelo desta quarta-feira contra o Grêmio, rotulado como jogo do ano, fora dele o clube terá uma série de decisões nos próximos meses. A partir de outubro, serão definidos o presidente do clube, a mesa diretora do Conselho Deliberativo e os 220 associados conselheiros para o triênio 2018/2020. Nos bastidores, conforme o Blog Toque Di Letra apurou, também é cogitada a possibilidade de uma quarta eleição: para o quadro de conselheiros natos.


O pleito que apontará o novo presidente deve ser realizado no dia 02 de outubro - confirmada a data, o registro de chapas acontecerá até 22 de setembro. Até o momento, já foram lançadas duas candidaturas: o advogado Sérgio Santos Rodrigues encabeça a chapa Tríplice Coroa, cujos vices são Giovanni Baroni e Marco Túlio Miranda, enquanto o empresário Wagner Pires de Sá concorre pela chapa União - Pelo Cruzeiro, Tudo, tendo como vices Hermínio Francisco Lemos e Ronaldo Granata.

Gilvan deixará a presidência neste ano
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

A eleição da mesa diretora do Conselho Deliberativo ocorrerá no mês de novembro. Por ora, os dois candidatos confirmados são o empresário Fernando Torquetti Júnior, apoiado pelo grupo de situação, e o senador Zezé Perrella. A exemplo da disputa presidencial, têm direito a voto, com peso único, cerca de 450 conselheiros do Cruzeiro, entre beneméritos (ex-presidentes do clube e do Conselho), natos (vitalícios) e associados conselheiros com mandato até o dia 31 de dezembro.

Novos associados conselheiros

Os 220 associados conselheiros e os 110 suplentes para o triênio 2018/2020 serão conhecidos em dezembro. Participam da escolha os atuais integrantes do Conselho - incluindo os suplentes com mandato até 31 de dezembro - e os associados. Na Assembleia Geral, com voto em lista fechada, é adotado sistema de pesos: beneméritos (seis), natos (cinco), associados conselheiros, suplentes e associados do clube social (um). São elegíveis os associados admitidos há, no mínimo, dois anos.

Cruzeiro teve eleição de natos em 2013
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

Com vacância no quadro de natos - hoje, a lista tem 253 nomes, 27 a menos do que o estatuto fixa -, é cogitada no clube a possibilidade de eleição de novos membros em novembro ou dezembro. Poderiam concorrer associados conselheiros com pelo menos três mandatos consecutivos ou cinco alternados cumpridos. Os escolhidos pelos beneméritos e atuais natos se tornariam elegíveis para a presidência no pleito de 2020. Oficialmente, a mesa diretora do Conselho ainda não se manifestou sobre o assunto.

20/08/2017

Ipatinga mira parcerias com clubes de BH

Vinícius Dias

O presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, recebeu na última sexta-feira a visita do novo presidente do Ipatinga, Christiano Araújo, na sede do Barro Preto. O clube do Vale do Aço, que teve parceria de sucesso com a Raposa entre 2004 e 2006, atualmente disputa a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. O Tigre está na segunda colocação, com dez pontos, dois a menos do que o líder Coimbra.

Christiano Araújo ao lado de Gilvan
(Créditos: Ipatinga Futebol Clube/Divulgação)

"O trabalho que a gente está realizando, a estrutura que nós montamos aqui no Ipatinga, é para subir para o módulo II. Os salários estão em dia, a gente tem cumprido tudo da maneira como planejamos", comemorou ao Blog Toque Di Letra. Empossado em fevereiro, o presidente tem mandato até 2020 e, há três dias, acertou a contratação do experiente meia Francismar, campeão estadual em 2006 pelo Cruzeiro.

Duelo com o Atlético na agenda

O Ipatinga voltará a campo pela Segunda Divisão nesta sexta-feira, dia 25 de agosto, diante do Atlético-B, na Arena do Jacaré. Atualmente, o time comandado por Wantuil Rodrigues conta com três atletas emprestados pelo América: o volante David, o meia Patrick Allan e o atacante Jeferson. Para os próximos anos, uma das metas traçadas por Christiano Araújo é a busca de parcerias com os clubes de Belo Horizonte.

19/08/2017


Mostra, em cartaz até 10 de setembro, relembra conquistas sob o
olhar dos fotojornalistas mineiros Gabriel Castro e Vinnícius Silva

Vinícius Dias

Da genialidade de Ronaldinho Gaúcho ao talento da dupla formada por Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, passando pelos milagres de Victor, o futebol mineiro vivenciou momentos marcantes em 2013 e 2014. Dias de glória que os torcedores poderão reviver na exposição 'Além do Futebol'. Em cartaz até 10 de setembro no hall do Teatro Estação Cultural, no Shopping Estação BH, a mostra apresenta as conquistas sob o olhar dos fotojornalistas mineiros Gabriel Castro e Vinnícius Silva.


"A maior parte das fotos expostas é de 2013, mas o trabalho começou muito antes. Ali, fomos coroados pelo que estava sendo feito há alguns anos", destaca Gabriel Castro, cujo sucesso profissional se confunde com a ascensão dentro e fora de campo do clube do coração. "Comecei a fotografar em 2011, com o Atlético garantindo a permanência na Série A nas últimas rodadas. 2012 foi um ano de redenção. A chegada de Victor, Jô e Ronaldinho, o retorno dos jogos a BH", lembra ao Blog Toque Di Letra.

Réver e a taça: América alvinegra em 2013
(Créditos: Gabriel Castro/Grupo Eleven)

Na temporada seguinte, o fotógrafo foi mais do que um dos milhares que acreditaram: teve a oportunidade de ver e eternizar os principais capítulos e lances da inédita conquista do time alvinegro na Libertadores. "Eu estava lá, me segurando para não me descontrolar frente a cada decisão. Foi difícil segurar as emoções e conseguir registrar os momentos mais mágicos da história do Galo. Sinto-me privilegiado por ter vivido e fotografado uma era histórica do Clube Atlético Mineiro", acrescenta.

Registros do bicampeonato

Na mostra, que reúne 20 fotografias em versão ampliada, os torcedores belorizontinos também poderão ver de perto cliques produzidos por Vinnícius Silva. Amigo de longa data do atleticano Gabriel Castro, o fotojornalista acompanha as partidas do Cruzeiro desde 2009. "Selecionamos imagens especiais, que sintetizam a vibração de grandes partidas. A fotografia tem esse poder de levar as pessoas de volta ao dia do jogo e relembrar a magia e os sentimentos daquele momento", afirma.

Cruzeiro dominou o Brasil em 2013 e 2014
(Créditos: Vinnícius Silva/Portre Imagens)

Do ponto de vista celeste, as imagens pontuam os grandes momentos da trajetória que culminou nos títulos brasileiros de 2013 e 2014. "Para mim, foram dois anos importantes, que colocaram meu trabalho na vitrine, talvez nacional, e que me deram grandes amigos. Consegui emplacar duas capas de livros oficiais do Cruzeiro, várias publicações feitas pelo clube e por atletas. Sinto-me orgulhoso quando lembro que, de certa forma, participei dessas conquistas épicas", comemora Vinnícius Silva.

Mostra fotográfica - Além do futebol

Teatro Estação Cultural - Shopping Estação BH (piso L3)
Av. Cristiano Machado, 11833, Venda Nova
Entrada franca - encerramento em 10/09

18/08/2017

Candidatura de Nepomuceno indefinida

Vinícius Dias

Enquanto a oposição, encabeçada pelo empresário Fred Couto, já se movimenta nos bastidores, o grupo de situação do Atlético ainda não tem candidato definido para as eleições presidenciais deste ano. Alvo de críticas da torcida alvinegra após as eliminações na Copa do Brasil e na Copa Libertadores, o presidente Daniel Nepomuceno segue respaldado por sua diretoria e, do ponto de vista administrativo, é elogiado no clube. Ainda assim, pode abrir mão de concorrer a um segundo mandato.

Nepomuceno pode abrir mão da disputa
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Desde o último pleito, quando chegou a ser convidado pelo então presidente Alexandre Kalil, mas optou por não se candidatar, Rodolfo Gropen é apontado como primeiro nome da situação. Internamente, no entanto, a avaliação é de que o ex-diretor de gestão e de planejamento dificilmente renunciaria à presidência do Conselho Deliberativo, cargo para o qual foi eleito há menos de um ano. Diante desse cenário, a alternativa mais cotada é seu vice, Sérgio Sette Câmara, ex-assessor da presidência.

Datas e detalhes do processo

As eleições presidenciais do Atlético acontecerão na primeira quinzena de dezembro, com registro de chapas até o fim de novembro. Cerca de 400 conselheiros estão aptos a participar da votação. O número inclui grandes beneméritos (ex-presidentes e vices do clube e do Conselho Deliberativo, entre outras personalidades), beneméritos (sócios com histórico de serviços de alta relevância ao clube), natos (vitalícios) e os 150 conselheiros eleitos (têm mandato até agosto de 2019).

17/08/2017

A vitória do Grêmio e a missão do Cruzeiro

Vinícius Dias

Contra-ataque em velocidade pela esquerda, bola de Pedro Rocha para Luan, finalização de primeira, gol de Lucas Barrios no rebote de Fábio: 1 a 0 para o Grêmio e explosão nas arquibancadas da Arena aos 44 minutos da etapa inicial. Consistente, o tricolor jogou mais e melhor, enquanto o Cruzeiro assistiu. O time de Mano Menezes, que se contentou em usar o domínio da posse de bola como estratégia para tentar mais conter do que ameaçar os gaúchos, chega em desvantagem ao confronto da volta pela primeira vez nesta edição da Copa do Brasil.


A partida começou com os donos da casa pressionando a saída celeste e tentando acelerar. Sem espaço nem alternativas, o Cruzeiro recorria a bolas longas para tentar surpreender e, aos 12 minutos, foi salvo por Fábio: defesa monumental em cabeçada de Lucas Barrios. A primeira finalização mineira veio aos 27', com Lucas Silva. Embora os números indicassem igualdade, o campo mostrava o Grêmio mais organizado e Fábio como protagonista. Aos 35', outra ótima intervenção, desta vez em chute de Pedro Rocha. Nove minutos depois, superado pelo ataque tricolor.

Raposa perdeu por 1 a 0 em Porto Alegre
(Créditos: Giazi Cavalcante/Light Press/Cruzeiro)

Na etapa final, o time de Renato Gaúcho se expôs menos e, à exceção da boa jogada individual do garoto Raniel, aos 48', pouco foi incomodado. Único semifinalista a eliminar três adversários da Série A, o Cruzeiro, que venceu apenas cinco das 21 partidas deste semestre e vê seu principal atacante amargar um jejum de mais de 900 minutos, tem pela frente o jogo do ano e a necessidade de passar por cima da dificuldade de propor sem se desorganizar defensivamente. O tamanho do desafio passará pelas escolhas de Mano Menezes e pela atitude da equipe no Mineirão.

A história do próprio Cruzeiro mostra que não há nada perdido.
Mas, na ida, o Grêmio foi superior. Mais do que o placar indica.

16/08/2017

O maior rival do Atlético é... o Atlético!

Alisson Millo*

Ao fim da partida desse domingo, em entrevista à Rádio Itatiaia, Luan apontou o Flamengo como maior rival do Atlético. Não que o 'Menino Maluquinho', exemplo de dedicação em campo, esteja todo errado. Vencer o rubro negro-carioca tem um gosto todo especial, mas, neste momento, o maior rival do Atlético é o próprio Galo. E esse é o obstáculo mais difícil a ser superado pelo time nesta temporada.


A maior prova disso é o fatídico jogo contra o Jorge Wilstermann. Diante de uma equipe limitadíssima, que sequer ameaçou a meta de Victor e não mostrou nada de mais defensivamente, o time alvinegro pouco criou, esbarrou nos próprios erros e saiu do Mineirão debaixo de muitas vaias e com mais uma eliminação na conta. Tudo porque, no jogo de ida, o Atlético conseguiu perder por 1 a 0 de um adversário que, se disputasse o Campeonato Mineiro, talvez brigasse contra o rebaixamento. O Galo não marcou uma vez sequer nos bolivianos e, assim, deu adeus à Libertadores.

Luan lamenta queda na Libertadores
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

No Brasileirão, o cenário não é muito diferente. Mesmo com a vitória e a boa exibição, estamos longe do G6, que é o mínimo que o presidente e nós esperamos. Após várias rodadas na parte de baixo da tabela, ainda há um longo caminho a percorrer para convencer a torcida. Mesmo que digam que atleticano nunca desiste, um Atlético e Flamengo com apenas dez mil pessoas era algo impensável há pouco tempo. Se as esperanças estavam nos mata-matas, elas deixaram de ser realidade em um ano que será perdido de vez caso a classificação à Libertadores não venha.

Humildade no dicionário do Galo

Mesmo mirando a parte de cima, hoje a alegria é pelo time ter se distanciado da zona de rebaixamento. Não que eu acredite que o Atlético vá brigar para não cair, mas nunca duvide da capacidade do Galo de complicar as tarefas fáceis. O perigosíssimo Jorge Wilstermann reafirma isso. Mas vamos com calma, passo a passo, rumo a caminhos menos turbulentos, acreditando e torcendo para que os tempos mais difíceis já tenham passado. Se essa eliminação serviu para alguma coisa foi para colocar a palavra humildade no dicionário de alguns. E é com ela que precisamos encarar todos os times para que novos fiascos não cruzem a estrada alvinegra.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

14/08/2017

Zezé Perrella cotado para o Conselho

Vinícius Dias

Uma reunião nas próximas horas, em Belo Horizonte, deve definir os detalhes da candidatura do grupo de oposição para as eleições do Conselho Deliberativo do Cruzeiro. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, neste momento, o nome mais cotado para encabeçar a chapa é o de Zezé Perrella. O pleito acontecerá no mês de novembro.

Zezé é cotado para chapa do Conselho
(Créditos: Sérgio Rodrigues/Twitter/Divulgação)

O senador, que havia se lançado pré-candidato à presidência do clube em fevereiro, anunciou a desistência há cerca de dois meses, indicando o advogado Sérgio Santos Rodrigues para encabeçar a chapa Tríplice Coroa. Zezé Perrella é aliado do atual presidente do Conselho, João Carlos Gontijo de Amorim, que deixará o cargo ao fim deste ano.

Atual vice-presidente é opção

No início das articulações, o atual vice-presidente do Conselho, Celso Fernandes Tolentino, chegou a ser apontado nos bastidores como provável candidato. Nesta segunda-feira, em contato com a reportagem, Celso evitou se posicionar sobre o assunto, pontuando que está retornando de viagem e prefere ouvir o grupo "para saber em que pé estão as coisas".

Jejum de Rafael Sóbis supera 800 minutos

Vinícius Dias

Atacante mais acionado por Mano Menezes nesta temporada - disputou 36 dos 50 jogos oficiais, 30 como titular -, Rafael Sóbis não tem conseguido repetir suas boas atuações pelo Cruzeiro. Artilheiro da equipe no primeiro trimestre, com nove gols, o camisa 7 balançou as redes apenas duas vezes desde abril. O último gol foi marcado no dia 25 de junho, aos 19' do segundo tempo do duelo contra o Coritiba, válido pela 10ª rodada do Campeonato Brasileiro. De lá para cá, são 838 minutos de jejum.

Sóbis: em branco desde o fim de julho
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Nesse domingo, além de passar em branco na derrota por 3 a 2 para o São Paulo, no Morumbi, Rafael Sóbis foi expulso após o apito final pelo árbitro Rafael Traci. Na súmula, o paranaense justificou que o atacante do Cruzeiro reclamou "de forma acintosa do sexteto de arbitragem, dizendo: 'vocês são ridículos, mal intencionados'". Foi a 11ª apresentação consecutiva em que saiu de campo sem conseguir balançar as redes, ampliando seu segundo maior jejum desde a chegada à Toca da Raposa II.

Artilheiro da Copa do Brasil

O camisa 7 voltará a campo na noite desta quarta-feira para o confronto de ida das semifinais da Copa do Brasil, diante do Grêmio, em Porto Alegre. Rafael Sóbis é a principal peça ofensiva à disposição do treinador Mano Menezes para a competição, uma vez que Ramón Ábila foi negociado com o Boca Juniors, que o emprestou ao Huracán até dezembro, enquanto Rafael Marques e Sassá não estão inscritos. Autor de cinco gols em sete partidas, o cruzeirense é um dos artilheiros desta edição.


Raposa já encarou gaúchos em mata-matas cinco vezes, levando a
melhor em quatro; triunfos antecederam três conquistas mineiras

Vinícius Dias

O triunfo por 2 a 0 em Belo Horizonte, com gols de Luan e Douglas, somado ao empate por 0 a 0 em Porto Alegre, valeu ao Grêmio a vaga na decisão da Copa do Brasil do ano passado. Eliminado, o Cruzeiro viu os gaúchos conquistarem o título diante do arquirrival Atlético. Historicamente, no entanto, o clube celeste está em vantagem sobre o tricolor em mata-matas: levou a melhor em quatro dos cinco duelos, que antecederam três de suas maiores conquistas. O sexto confronto terá início nesta quarta-feira, no Mineirão, pelas semifinais da Copa do Brasil.


O primeiro embate em mata-matas ocorreu nas quartas de final da Taça Brasil de 1966. Na ida, empate sem gols no estádio Olímpico. Na volta, diante de cerca de 50 mil torcedores no Gigante da Pampulha, o Grêmio abriu o placar: gol do atacante Vieira, aos dois minutos da etapa final. O Cruzeiro empatou aos quatro, com Marco Antônio, e chegou à virada aos 16', em pênalti cobrado por Tostão. A Raposa ainda passaria pelo Fluminense antes de superar o Santos, de Pelé, e conquistar o título de forma inédita.

Cruzeiro campeão da Taça Brasil de 66
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

Depois de 27 anos, mineiros e gaúchos voltaram a se confrontar. Desta vez, na final da Copa do Brasil. No primeiro jogo, a exemplo do que ocorrera em 1966, empate por 0 a 0 em Porto Alegre. Em Belo Horizonte, embalado por mais de 70 mil vozes, o Cruzeiro levou a melhor. Roberto Gaúcho abriu o placar aos 12 minutos da etapa inicial. O volante Pingo empatou aos 25'. Já no segundo tempo, Cleison marcou aos 20', de cabeça, o gol que confirmou o primeiro dos quatro títulos celestes na competição.

Festa nas quartas da Libertadores de 97
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

A história da Copa Libertadores registra dois duelos. O primeiro, em 1997, pelas quartas de final. No Gigante da Pampulha, a Raposa abriu o placar com gol relâmpago de Elivélton, aos 40 segundos, e ampliou a vantagem com Alex Mineiro, aos 28' da primeira etapa. Na volta, 2 a 1 para o Grêmio. O gol marcado pelo volante Fabinho, no entanto, garantiu a classificação do time celeste, que ainda superaria o Colo-Colo, do Chile, antes de conquistar o bicampeonato diante do Sporting Cristal, do Peru.

Em 2009, o Cruzeiro levou a melhor nas semifinais, mas ficou com o vice, sendo superado pelo Estudiantes, da Argentina, na decisão.

Cruzeiro x Grêmio em mata-matas - histórico:

Taça Brasil 1966 - Grêmio 0x0 Cruzeiro / Cruzeiro 2x1 Grêmio
Copa do Brasil 1993 - Grêmio 0x0 Cruzeiro / Cruzeiro 2x1 Grêmio
Libertadores 1997 - Cruzeiro 2x0 Grêmio / Grêmio 2x1 Cruzeiro
Libertadores 2009 - Cruzeiro 3x1 Grêmio / Grêmio 2x2 Cruzeiro
Copa do Brasil 2016 - Cruzeiro 0x2 Grêmio / Grêmio 0x0 Cruzeiro

13/08/2017

Rafael Carioca: a única alternativa do Tigres

Vinícius Dias*

Em busca de um meio-campista para suprir a lacuna deixada pela saída do argentino Guido Pizarro, negociado com o Sevilla, o Tigres, do México, já viu dois de seus alvos traçarem outros caminhos no mercado. O chileno Medel acertou com o Besiktas, da Turquia, enquanto o colombiano Mateus Uribe já até estreou pelo rival América. Apontado no fim de julho pelo diretor Miguel Ángel Garza como uma das três alternativas do clube, o alvinegro Rafael Carioca se tornou a única neste momento.

Volante foi titular na eliminação de 4ª
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Aberta desde o dia 14 de junho, a janela de transferências do futebol mexicano fechará em 05 de setembro. "A gente recebeu uma proposta. Foi feita uma contraproposta", ponderou o supervisor de futebol do Atlético, André Figueiredo, em coletiva há duas semanas. Ainda sem responder à contraproposta, o Tigres adotou silêncio sobre o assunto nos últimos dias. Entre o clube mexicano e o volante, que está há três temporadas no futebol mineiro, as tratativas estão encaminhadas.

Bom trânsito com a alta cúpula

Um dos envolvidos na negociação, o agente Jorge Machado tem bom trânsito no Tigres. O gaúcho foi peça-chave na chegada do atacante Rafael Sóbis ao clube, em 2014, e na saída rumo ao Cruzeiro, no ano passado.

*Com colaboração de Javier Alonso

11/08/2017

O Brasileirão de pontos sofridos do Cruzeiro

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

Mais um final de turno que a torcida cruzeirense olha para a tabela de classificação e pensa que poderia e deveria ter sido muito melhor do que foi. Mais uma virada de turno que os torcedores dos demais clubes do Brasil olham para a classificação e sequer notam a presença da Raposa. Mais meio Campeonato Brasileiro em que o Cruzeiro não empolga, não deslancha, não convence e não se estabelece entre as principais forças. Teria o time celeste se tornado um coadjuvante de luxo?


De três anos para cá, o clube vem, rodada a rodada, enfrentando o adversário mais difícil que poderia ter pelo caminho: ele próprio. À base de tentativa e erro, o Cruzeiro busca consertar os erros acumulados desde 2015, depois de ter, de maneira brilhante, levantado o caneco por duas vezes seguidas. Por meio de enganos e desenganos, contratações questionáveis, mais apostas equivocadas do que certas, a Raposa vem melancolicamente se tornando um visitante pouco temido e um mandante muito pouco agressivo. Apesar dos momentos de exceção, em geral os resultados são previsíveis, as atuações pouco brilhantes e o futuro cada vez mais incerto.

Time não seguiu ritmo de Thiago Neves
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Trocando em miúdos, há três anos o Cruzeiro disputa, em um mundo só seu, alheio ao que acontece no resto do país, um Campeonato Brasileiro de pontos sofridos. Não que haja pontos fáceis de serem conquistados. Entretanto, há pontos muito menos difíceis e, ainda assim, o time vai deixando pelo meio do caminho, como se não fizessem falta, para, no fim, ao olhar de novo para a classificação, se dar conta de que, sim, fizeram falta. E muita. Às vezes, vai lá e arranca uma vitória improvável em um momento conturbado, mas, quando achamos que vai engrenar, vem um empate insosso na rodada seguinte, uma derrota pálida na outra e assim vai até acabar mais um ano.

Basta ser e jogar como Cruzeiro

Dos três últimos anos, 2017 é aquele em que vejo o Cruzeiro com mais chances de reverter essa condição de coadjuvante que tanto me incomoda. E incomoda porque acredito no potencial do elenco e também que ele pode, se focar partida a partida, relembrando a essência e a escola cruzeirense de futebol, voltar a ser notado e a ser destaque positivo.

Cruzeiro ainda não emplacou na Série A
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Não é preciso ser arrogante, querer contar com vitórias antes dos jogos, achar que as partidas vão se resolver por si só ou que a camisa vai recolocar o clube na posição em que merece. Basta ser Cruzeiro! Basta olhar o caminho trilhado até aqui e tirar os bons exemplos do passado, especialmente do recente. Temos mais 19 rodadas pela frente e, certamente, podemos ser muito melhores do que fomos até aqui.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!


Com média de 0,4 gol por jogo, centroavante se despede do time
estrelado e voltará a atuar no Huracán; Raposa se livra de dívida

Vinícius Dias

Emprestado pelo Boca Juniors ao Huracán, Ramón Ábila se despediu oficialmente do Cruzeiro nessa quinta-feira. Mesmo tendo entrado em campo pela última vez no dia 02 de julho, no clássico contra o Atlético, na Arena Independência, o centroavante deixa a Toca da Raposa II como artilheiro celeste na temporada, com 13 gols em jogos oficiais. "Muito obrigado, Cruzeiro, e até breve! Fui feliz demais lá, desejo toda a sorte do mundo para vocês. Aqui tem uma família que torce para o maior de Minas", publicou em seu perfil no Instagram, após o fim da novela sobre seu futuro.


Último capítulo de uma trajetória pontuada por trocas de farpas entre dirigentes de Cruzeiro e Huracán, clube que havia negociado 50% de seus direitos econômicos com a Raposa em junho de 2016, a transferência atende a um desejo expressado pessoalmente por Wanchope. "O que foi importante na negociação, primeiro, foi o desejo do jogador. Ele deixou claro para mim que não queria permanecer, apesar de respeitar muito o Cruzeiro", revelou o vice-presidente de futebol Bruno Vicintin, em entrevista exclusiva ao Blog Toque Di Letra, na última semana.

Ábila: 25 gols em 60 jogos oficiais
(Créditos: Washington Alves/Cruzeiro)

Mesmo sem movimentar altas cifras, a operação terá reflexos nas finanças do clube celeste. Além do empréstimo do meia Alexis Messidoro, que estava no Sport Boys, da Bolívia, e será apresentado nesta sexta-feira, o Boca Juniors assumiu a dívida de US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 4,8 milhões, referente à compra de metade dos direitos junto ao Globo. Com a saída, o Cruzeiro ainda deixou de ter a obrigação investir até o fim desta temporada US$ 4 milhões, cerca de R$ 12,7 milhões, para ficar com os outros 50% de Ramón Ábila e garantir sua permanência em Belo Horizonte.

Centroavante já treina na Argentina
(Créditos: CA Huracán/Twitter/Reprodução)

Peça-chave na luta contra o rebaixamento no Brasileirão, o camisa 9 fechou 2016 com 12 gols e a titularidade. Neste ano, no entanto, foi preterido: disputou apenas 14 jogos como titular, ficando na reserva o dobro de vezes. Cenário decisivo para a saída. "Por ele não estar jogando tanto, a dívida que teríamos que assumir no final do ano passava a inviabilizar a permanência", reconheceu Bruno Vicintin. Curiosamente, o argentino se despede também como goleador da era Mano Menezes - contabilizando as duas passagens do treinador pelo clube -, com 24 tentos assinalados.

Ramón Ábila - estatísticas pelo Cruzeiro:

Número de jogos: 60 partidas oficiais - titular em 34
Média de gols: 25 gols marcados - 0,42 por partida
Média de assistências: 3 assistências - 0,05 por partida
Maior vítima: Corinthians - três gols em quatro partidas

10/08/2017

Obrigações de mais e convicção de menos

Vinícius Dias

Dobro de posse de bola, quatro vezes mais finalizações e quase um jogo de um time só, nessa quarta-feira, no Mineirão. Mas a vaga nas quartas de final da Copa Libertadores é do outro time, o Jorge Wilstermann. O Atlético jogou como sempre - 43 cruzamentos, apenas seis certos, de acordo com o Footstats, confirmam isso - e tropeçou como o torcedor se acostumou a ver. Caiu Roger Machado, caiu no Horto, caiu no Mineirão, e o jejum em casa chega a 39 dias. Com o pior cenário possível para os atleticanos, o confronto fez jus ao rótulo de um ano em 90 minutos.


O time comandado por Rogério Micale começou pressionando e buscando a superioridade pelos lados, especialmente pela direita, com Marcos Rocha e Luan. Mesmo diante de um adversário que chegou ao Mineirão com apenas 13% como visitante, o gol não veio e o Atlético foi se desorganizando. Primeiro, a velocidade na troca de passes esbarrava em decisões erradas. Depois, a circulação da bola tinha pouca objetividade em mais um jogo com estrelas escondidas. Na etapa final, embora os bolivianos sequer ameaçassem em contra-ataques, muitos cruzamentos e poucas ideias.

Robinho: fracasso em pleno Mineirão
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Fracasso dentro de campo, com duas eliminações em apenas 15 dias, falta de tato fora dele. No discurso do presidente Daniel Nepomuceno, é obrigação do Atlético chegar ao G6 do Campeonato Brasileiro e disputar a próxima Libertadores - assim como era inadmissível perder o título na última temporada - e a receita do sucesso passa pela volta às características. Características, ou modo Galo doido, que ele mesmo preteriu ao demitir o então vice-líder Levir Culpi, em 2015, contratando Diego Aguirre e, mais recentemente, Roger. Rupturas seguidas de rupturas.

Vexame, dúvidas sobre 2018 e uma certeza sobre o momento:
Hoje, o Atlético tem obrigações de mais e convicção de menos.

09/08/2017


Empresário exalta ideias recebidas para o projeto de gestão e visa
trabalho em equipe: 'Não há espaço para personalismo no Cruzeiro'

Vinícius Dias

Aos 76 anos, Wagner Pires de Sá concorrerá à presidência do Cruzeiro nas eleições deste ano. Ex-presidente do Conselho Fiscal do clube, o empresário encabeça a chapa União - Pelo Cruzeiro, Tudo com discurso baseado exatamente em união. "Não há espaço para personalismo quando tratamos do Cruzeiro Esporte Clube", pontua ao Blog Toque Di Letra, em entrevista via e-mail. "Nosso plano piloto de gestão, com compromissos que pretendemos aplicar no Cruzeiro, está sendo construído a várias mãos para ser oficialmente apresentado", acrescenta o candidato da situação.

Wagner Pires apresenta propostas
(Créditos: Wagner Pires de Sá/Divulgação)

Em meio a críticas à oposição, Wagner também projeta a relação com o Conselho, assume o compromisso de criar o departamento do torcedor e se posiciona sobre o uso do Mineirão. "Pretendo estudar a viabilidade de construção de um estádio menor, onde possamos jogar partidas de menor público sem um custo tão alto de abrir um estádio tão grande", revela. Em relação ao futebol, exalta o elenco atual e o treinador Mano Menezes, cujo futuro decidirá se eleito, e fala sobre as finanças do clube para 2018 e da formação de talentos na Toca da Raposa I.

Você esteve fora da diretoria nos dois mandatos do Gilvan, que chegou a cogitar outros nomes e até a alteração do estatuto, o que possibilitaria a candidatura do atual vice de futebol, Bruno Vicintin. Como se deram as conversas que antecederam a sua escolha para encabeçar a chapa do grupo de situação?

Eu, com muito orgulho, fui convidado pelo presidente Gilvan e pelo vice-presidente José Francisco Lemos Filho, o doutor Lemos, para me candidatar à presidência do Cruzeiro. Vejo com naturalidade eles terem estudado vários nomes, inclusive todos são meus amigos e estão me apoiando. Precisamos unir todas as forças que querem o bem do Cruzeiro para continuar a administrar este gigante.

Seu esboço de plano diretor, ao qual o BLOG teve acesso, aponta a participação mais efetiva do Conselho como uma das prioridades da administração, citando pontos como compra e venda de jogadores, comissões de conselheiros e transparência. Detalhe essa iniciativa e como pensa em colocá-la em prática.

Vamos por partes nesta questão. Primeiramente, é preciso dizer que, neste ano, o Cruzeiro deu um passo gigantesco em transparência ao divulgar para os conselheiros todas as porcentagens que compõem os direitos econômicos dos jogadores, principalmente os jogadores da base, para que saibam quem está por trás dos atletas e percebam quando negociações são feitas não apenas visando ao aprimoramento do patrimônio do clube. Este é um exemplo prático no qual o Conselho tem que ser consultado. Na minha gestão, pretendo trazer o conselheiro para perto, evoluindo neste sentido. Nosso plano piloto de gestão, com compromissos que pretendemos aplicar no Cruzeiro, está sendo construído a várias mãos para ser oficialmente apresentado. Agradecemos a cada um pessoalmente pelas enormes contribuições que estão sendo dadas e que fortalecem o projeto de gestão do Cruzeiro em suas diversas áreas.

Reconhecemos as grandes ideias porque somos uma candidatura de união. Recebemos do atual vice-presidente de futebol, Bruno Vicintin, um projeto com valiosas contribuições. Este trabalho foi colocado para conhecimento público em suas próprias redes sociais e percebemos que há quem esteja apresentando várias iniciativas presentes neste plano como originais, quando sabemos que são cópias. Transparência é um tema importante até mesmo no sentido de reconhecer a origem de boas proposições para o Cruzeiro Esporte Clube. Outro ponto é que nossa chapa já se comprometeu a apresentar balancetes ao Conselho, bem como disponibilizá-los para consulta dos associados. Comissões de conselheiros também é outro passo a ser dado para, como dito acima, envolver o Conselho Deliberativo em tomadas de decisões em diversas áreas. Sugeri, pessoalmente e como você afirma, sobre a possibilidade de conselheiros se envolverem no processo de compra e venda de jogadores. Isso não significa, contudo, que é um compromisso da nossa chapa. Estamos debatendo sobre esta e outras iniciativas para que, aquelas efetivadas como compromissos, sejam feitas com consenso, de forma correta, transparente e democrática.

Hoje, a decisão dos rumos do Cruzeiro está restrita a cerca de 500 conselheiros. Como você avalia a participação do torcedor, que já é realidade em alguns clubes brasileiros? Seria uma alternativa para alavancar o programa de sócios-torcedores, cujos números tiveram queda nesta temporada?

Se tratarmos, primeiramente, de números do programa sócio-torcedor, uma iniciativa louvável conduzida pelo departamento de marketing do Cruzeiro, temos duas situações que motivaram o decrescimento. Primeiro, pela crise econômica do país. Segundo, pela queda de resultados em 2015 e 2016. Em 2017, os resultados já voltaram a ser melhores e o sócio voltou a crescer. O Cruzeiro possui, hoje, a quinta maior média de público em estádio, estando atrás de clubes que estão no topo da tabela, que ainda disputam outros campeonatos que contribuem com a presença dos torcedores nos estádios. Este tema pode até mesmo ser aprofundado pelo seu Blog, convidando os profissionais deste setor para maior detalhamento.

São diversas ações sendo feitas para fortalecer a adesão de novos sócios-torcedores. O torcedor tem um papel importante para o clube, ele está ali nos jogos, no dia a dia, levantando a nossa bandeira, e reconhecemos esse expressivo papel. Temos como compromisso, se eleitos, de criar o departamento do torcedor, uma iniciativa que aproximará ainda mais, e de forma oficial, o Cruzeiro da sua torcida. Trazer o torcedor para a tomada de decisões do clube, por sua vez, demanda estudo, diálogo, porque existe um estatuto que rege a política do Cruzeiro. Temos que trabalhar para que nossos torcedores sejam também nossos associados e, com isso, possam se envolver neste aspecto de forma legal. O Cruzeiro tem uma estrutura impecável em suas sedes sociais e valores acessíveis de adesão. Vamos aprimorá-las, temos projeto nesse sentido, e fazer destes locais possíveis espaços de convivência dos nossos torcedores.

É preciso refletir também que nossos conselheiros são também torcedores, frequentam o estádio, conversam com outros torcedores, têm ligação histórica com o Cruzeiro Esporte Clube. Suas opiniões são também as vozes desta imensa torcida. O trabalho de presença até mesmo em canais de comunicação digitais que o Cruzeiro já realiza é outra ferramenta para ouvir o torcedor e que pode ser ainda mais aprimorada, humanizada. Tudo tem que ser estudado e conversado. O estatuto do Cruzeiro, por exemplo, tem reformas que precisam ser feitas. Porém, tudo tem que ser debatido para que o clube cresça em longo prazo, e não apenas a partir de discursos vazios, como temos visto neste processo eleitoral.

O clube tem acordo para uso do Mineirão até dezembro de 2037. A relação com a concessionária que administra o estádio, porém, vem sendo marcada por embates judiciais. Você já se informou sobre os detalhes do contrato? Qual é a avaliação que faz dele?

O Mineirão é a casa do Cruzeiro. E o povo mineiro investiu milhões de reais para ver seus times de futebol jogarem no maior palco. Pretendo evoluir as parcerias que já foram feitas, porém temos que estudar todas as opções que melhorem as condições financeiras para o clube. Solicitei acesso a este documento para estudá-lo em profundidade. Temos até mesmo o compromisso de explorar melhor o Mineirão, com ações que já nos permitem a criação do nosso museu e memorial em suas dependências. Frequento o Mineirão, sei que é possível fazer. Pretendo estudar a viabilidade de construção de um estádio menor, onde possamos jogar partidas de menor público sem um custo tão alto de abrir um estádio tão grande. Isso não significa que nossa média de público é ruim. Reafirmo: temos a quinta maior média de público nacional. Porém, prometer um novo estádio é uma questão que deve ser discutida com a concessionária contratualmente, com o Conselho, com a torcida, com investidores. Envolve muito mais que uma proposta para agradar aos ouvidos de algumas pessoas.

O atual mandato do Gilvan ficou marcado pelo desgaste da relação entre Cruzeiro e FMF. Como você se posiciona em relação a isso? Se eleito, pretende adotar um tom mais conciliador?

Pensamos que há situações em que a Federação Mineira de Futebol é quem tem que adotar este tom conciliador. Vimos isso na decisão do Campeonato Mineiro, em que o próprio vice-presidente de futebol, Bruno Vicintin, muito bem fez intervindo naquela medida absurda em que a Federação queria proibir nossa torcida de assistir à final, escondendo-se atrás de amarras políticas. O Cruzeiro merece e tem que exigir este respeito que, de certa forma, vem faltando nos últimos anos. Pretendemos cobrar respeito e idoneidade ao maior clube de Minas Gerais. Não podemos fugir e nos esconder quando é necessário defender o nome do clube. Para o relacionamento melhorar, a Federação precisa respeitar o nosso clube e a nossa torcida.

O Cruzeiro teve seis exercícios deficitários seguidos entre 2011 e 2016. Diante desse cenário, se eleito, como você espera receber o clube financeiramente em 2018? É possível ter elenco competitivo, mas mantendo as contas equilibradas?

Esse é nosso principal objetivo. O próprio presidente Gilvan já deu declarações afirmando que temos superávit nas contas do clube no primeiro trimestre deste ano. Já é óbvio que o time que vou receber em 2018, com Thiago Neves, Alisson, Robinho, Romero, Arrascaeta, Rafael Sóbis, Dedé, Manoel, Diogo Barbosa, Ariel Cabral, além dos nossos excepcionais jogadores da base, é infinitamente superior ao time que o presidente Gilvan assumiu em 2012. O presidente Gilvan recebeu um time desmantelado, sem ativos para venda, com exceção de Fábio e Montillo, e em situação financeira crítica. É um assunto que seu Blog pode detalhar melhor com o nosso presidente.

Pretendemos manter este time e evoluir o mesmo, trabalhando com ajuda de consultorias para aprimorar o equilíbrio entre receitas e despesas do clube. A intenção é de sempre melhorar o nível técnico para que o Cruzeiro continue disputando grandes competições e ganhando mais títulos. Sou empresário de uma grande indústria no setor químico, trabalhamos nela com planejamento, plano de metas, processos de qualidade, certificações, conheço a fundo sobre gestão e claro que vamos aplicar técnicas de gestão capazes de engrandecer nosso clube ainda mais. Mas, além de mim, somos um grupo, uma chapa composta por vários apoiadores que também são grandes conhecedores dessas metodologias e também de futebol. Não há espaço para personalismo quando tratamos do Cruzeiro Esporte Clube.

No duelo decisivo contra o Palmeiras, na Copa do Brasil, Mano usou cinco atletas formados na base - Murilo, Lucas Silva, Élber, Alisson e Raniel. Três deles foram cedidos a outros clubes antes da afirmação no Cruzeiro. Como você avalia essa política? Um time sub-23 para lapidá-los no próprio clube, por exemplo, te agrada?

Utilizar cinco atletas da base em uma partida tão decisiva é muito mérito de quem trabalhou essa gestão do presidente Gilvan na base, como meus companheiros Márcio Rodrigues, Bruno Vicintin, Antônio Assunção e Hermínio Lemos. Já li a entrevista que o Vicintin deu ao seu Blog, na qual ele respondeu a essa pergunta, e eu concordo com ele. Fazer um time sub-23 para disputar terceira divisão do Mineiro é uma ideia que só vai gerar custo. Vamos buscar outras formas com o departamento de futebol para evoluir a transição desses atletas, que já vem sendo bem feita, tanto que, nos seis anos de gestão do presidente Gilvan, 22 jogadores da base subiram para o profissional e 11 deles participaram das campanhas dos títulos brasileiros de 2013 e 2014. Temos como compromisso elevar o número de revelações dos atletas de base. Vamos colocar em prática este compromisso.

Dos jogadores mais utilizados, apenas o volante Hudson ficará sem contrato ao fim deste ano. Até que ponto isso é positivo, por manter uma base, e até que ponto limita as ações do próximo presidente? Quanto ao treinador, você manteria Mano Menezes?

Sobre o time, como falei anteriormente, é inegável que a qualidade que o próximo presidente vai receber é infinitamente maior do que a que o presidente Gilvan recebeu. Mérito do trabalho dos nossos profissionais do futebol. Não teremos grandes dificuldades em renovação de contrato e só vamos precisar contratar jogadores que realmente venham para fazer a diferença, já que a base está bem formada. Só vejo pontos positivos nisso. Sobre o contrato do treinador Mano, que termina no fim do ano, caso eleito, pretendo sentar com meu departamento de futebol para analisar a fundo o trabalho e, aí, sim, propor ou não renovação. Acho um dos melhores treinadores do Brasil e que vem fazendo um bom trabalho. Esperamos que este trabalho seja coroado com os títulos da Copa do Brasil e da Primeira Liga e com a classificação do Cruzeiro para a Libertadores. O que, em um ano político, e depois de tudo que a oposição vem fazendo para tumultuar o ambiente, será, caso alcançado, digno de aplausos de todos os cruzeirenses.