09/08/2017


Empresário exalta ideias recebidas para o projeto de gestão e visa
trabalho em equipe: 'Não há espaço para personalismo no Cruzeiro'

Vinícius Dias

Aos 76 anos, Wagner Pires de Sá concorrerá à presidência do Cruzeiro nas eleições deste ano. Ex-presidente do Conselho Fiscal do clube, o empresário encabeça a chapa União - Pelo Cruzeiro, Tudo com discurso baseado exatamente em união. "Não há espaço para personalismo quando tratamos do Cruzeiro Esporte Clube", pontua ao Blog Toque Di Letra, em entrevista via e-mail. "Nosso plano piloto de gestão, com compromissos que pretendemos aplicar no Cruzeiro, está sendo construído a várias mãos para ser oficialmente apresentado", acrescenta o candidato da situação.

Wagner Pires apresenta propostas
(Créditos: Wagner Pires de Sá/Divulgação)

Em meio a críticas à oposição, Wagner também projeta a relação com o Conselho, assume o compromisso de criar o departamento do torcedor e se posiciona sobre o uso do Mineirão. "Pretendo estudar a viabilidade de construção de um estádio menor, onde possamos jogar partidas de menor público sem um custo tão alto de abrir um estádio tão grande", revela. Em relação ao futebol, exalta o elenco atual e o treinador Mano Menezes, cujo futuro decidirá se eleito, e fala sobre as finanças do clube para 2018 e da formação de talentos na Toca da Raposa I.

Você esteve fora da diretoria nos dois mandatos do Gilvan, que chegou a cogitar outros nomes e até a alteração do estatuto, o que possibilitaria a candidatura do atual vice de futebol, Bruno Vicintin. Como se deram as conversas que antecederam a sua escolha para encabeçar a chapa do grupo de situação?

Eu, com muito orgulho, fui convidado pelo presidente Gilvan e pelo vice-presidente José Francisco Lemos Filho, o doutor Lemos, para me candidatar à presidência do Cruzeiro. Vejo com naturalidade eles terem estudado vários nomes, inclusive todos são meus amigos e estão me apoiando. Precisamos unir todas as forças que querem o bem do Cruzeiro para continuar a administrar este gigante.

Seu esboço de plano diretor, ao qual o BLOG teve acesso, aponta a participação mais efetiva do Conselho como uma das prioridades da administração, citando pontos como compra e venda de jogadores, comissões de conselheiros e transparência. Detalhe essa iniciativa e como pensa em colocá-la em prática.

Vamos por partes nesta questão. Primeiramente, é preciso dizer que, neste ano, o Cruzeiro deu um passo gigantesco em transparência ao divulgar para os conselheiros todas as porcentagens que compõem os direitos econômicos dos jogadores, principalmente os jogadores da base, para que saibam quem está por trás dos atletas e percebam quando negociações são feitas não apenas visando ao aprimoramento do patrimônio do clube. Este é um exemplo prático no qual o Conselho tem que ser consultado. Na minha gestão, pretendo trazer o conselheiro para perto, evoluindo neste sentido. Nosso plano piloto de gestão, com compromissos que pretendemos aplicar no Cruzeiro, está sendo construído a várias mãos para ser oficialmente apresentado. Agradecemos a cada um pessoalmente pelas enormes contribuições que estão sendo dadas e que fortalecem o projeto de gestão do Cruzeiro em suas diversas áreas.

Reconhecemos as grandes ideias porque somos uma candidatura de união. Recebemos do atual vice-presidente de futebol, Bruno Vicintin, um projeto com valiosas contribuições. Este trabalho foi colocado para conhecimento público em suas próprias redes sociais e percebemos que há quem esteja apresentando várias iniciativas presentes neste plano como originais, quando sabemos que são cópias. Transparência é um tema importante até mesmo no sentido de reconhecer a origem de boas proposições para o Cruzeiro Esporte Clube. Outro ponto é que nossa chapa já se comprometeu a apresentar balancetes ao Conselho, bem como disponibilizá-los para consulta dos associados. Comissões de conselheiros também é outro passo a ser dado para, como dito acima, envolver o Conselho Deliberativo em tomadas de decisões em diversas áreas. Sugeri, pessoalmente e como você afirma, sobre a possibilidade de conselheiros se envolverem no processo de compra e venda de jogadores. Isso não significa, contudo, que é um compromisso da nossa chapa. Estamos debatendo sobre esta e outras iniciativas para que, aquelas efetivadas como compromissos, sejam feitas com consenso, de forma correta, transparente e democrática.

Hoje, a decisão dos rumos do Cruzeiro está restrita a cerca de 500 conselheiros. Como você avalia a participação do torcedor, que já é realidade em alguns clubes brasileiros? Seria uma alternativa para alavancar o programa de sócios-torcedores, cujos números tiveram queda nesta temporada?

Se tratarmos, primeiramente, de números do programa sócio-torcedor, uma iniciativa louvável conduzida pelo departamento de marketing do Cruzeiro, temos duas situações que motivaram o decrescimento. Primeiro, pela crise econômica do país. Segundo, pela queda de resultados em 2015 e 2016. Em 2017, os resultados já voltaram a ser melhores e o sócio voltou a crescer. O Cruzeiro possui, hoje, a quinta maior média de público em estádio, estando atrás de clubes que estão no topo da tabela, que ainda disputam outros campeonatos que contribuem com a presença dos torcedores nos estádios. Este tema pode até mesmo ser aprofundado pelo seu Blog, convidando os profissionais deste setor para maior detalhamento.

São diversas ações sendo feitas para fortalecer a adesão de novos sócios-torcedores. O torcedor tem um papel importante para o clube, ele está ali nos jogos, no dia a dia, levantando a nossa bandeira, e reconhecemos esse expressivo papel. Temos como compromisso, se eleitos, de criar o departamento do torcedor, uma iniciativa que aproximará ainda mais, e de forma oficial, o Cruzeiro da sua torcida. Trazer o torcedor para a tomada de decisões do clube, por sua vez, demanda estudo, diálogo, porque existe um estatuto que rege a política do Cruzeiro. Temos que trabalhar para que nossos torcedores sejam também nossos associados e, com isso, possam se envolver neste aspecto de forma legal. O Cruzeiro tem uma estrutura impecável em suas sedes sociais e valores acessíveis de adesão. Vamos aprimorá-las, temos projeto nesse sentido, e fazer destes locais possíveis espaços de convivência dos nossos torcedores.

É preciso refletir também que nossos conselheiros são também torcedores, frequentam o estádio, conversam com outros torcedores, têm ligação histórica com o Cruzeiro Esporte Clube. Suas opiniões são também as vozes desta imensa torcida. O trabalho de presença até mesmo em canais de comunicação digitais que o Cruzeiro já realiza é outra ferramenta para ouvir o torcedor e que pode ser ainda mais aprimorada, humanizada. Tudo tem que ser estudado e conversado. O estatuto do Cruzeiro, por exemplo, tem reformas que precisam ser feitas. Porém, tudo tem que ser debatido para que o clube cresça em longo prazo, e não apenas a partir de discursos vazios, como temos visto neste processo eleitoral.

O clube tem acordo para uso do Mineirão até dezembro de 2037. A relação com a concessionária que administra o estádio, porém, vem sendo marcada por embates judiciais. Você já se informou sobre os detalhes do contrato? Qual é a avaliação que faz dele?

O Mineirão é a casa do Cruzeiro. E o povo mineiro investiu milhões de reais para ver seus times de futebol jogarem no maior palco. Pretendo evoluir as parcerias que já foram feitas, porém temos que estudar todas as opções que melhorem as condições financeiras para o clube. Solicitei acesso a este documento para estudá-lo em profundidade. Temos até mesmo o compromisso de explorar melhor o Mineirão, com ações que já nos permitem a criação do nosso museu e memorial em suas dependências. Frequento o Mineirão, sei que é possível fazer. Pretendo estudar a viabilidade de construção de um estádio menor, onde possamos jogar partidas de menor público sem um custo tão alto de abrir um estádio tão grande. Isso não significa que nossa média de público é ruim. Reafirmo: temos a quinta maior média de público nacional. Porém, prometer um novo estádio é uma questão que deve ser discutida com a concessionária contratualmente, com o Conselho, com a torcida, com investidores. Envolve muito mais que uma proposta para agradar aos ouvidos de algumas pessoas.

O atual mandato do Gilvan ficou marcado pelo desgaste da relação entre Cruzeiro e FMF. Como você se posiciona em relação a isso? Se eleito, pretende adotar um tom mais conciliador?

Pensamos que há situações em que a Federação Mineira de Futebol é quem tem que adotar este tom conciliador. Vimos isso na decisão do Campeonato Mineiro, em que o próprio vice-presidente de futebol, Bruno Vicintin, muito bem fez intervindo naquela medida absurda em que a Federação queria proibir nossa torcida de assistir à final, escondendo-se atrás de amarras políticas. O Cruzeiro merece e tem que exigir este respeito que, de certa forma, vem faltando nos últimos anos. Pretendemos cobrar respeito e idoneidade ao maior clube de Minas Gerais. Não podemos fugir e nos esconder quando é necessário defender o nome do clube. Para o relacionamento melhorar, a Federação precisa respeitar o nosso clube e a nossa torcida.

O Cruzeiro teve seis exercícios deficitários seguidos entre 2011 e 2016. Diante desse cenário, se eleito, como você espera receber o clube financeiramente em 2018? É possível ter elenco competitivo, mas mantendo as contas equilibradas?

Esse é nosso principal objetivo. O próprio presidente Gilvan já deu declarações afirmando que temos superávit nas contas do clube no primeiro trimestre deste ano. Já é óbvio que o time que vou receber em 2018, com Thiago Neves, Alisson, Robinho, Romero, Arrascaeta, Rafael Sóbis, Dedé, Manoel, Diogo Barbosa, Ariel Cabral, além dos nossos excepcionais jogadores da base, é infinitamente superior ao time que o presidente Gilvan assumiu em 2012. O presidente Gilvan recebeu um time desmantelado, sem ativos para venda, com exceção de Fábio e Montillo, e em situação financeira crítica. É um assunto que seu Blog pode detalhar melhor com o nosso presidente.

Pretendemos manter este time e evoluir o mesmo, trabalhando com ajuda de consultorias para aprimorar o equilíbrio entre receitas e despesas do clube. A intenção é de sempre melhorar o nível técnico para que o Cruzeiro continue disputando grandes competições e ganhando mais títulos. Sou empresário de uma grande indústria no setor químico, trabalhamos nela com planejamento, plano de metas, processos de qualidade, certificações, conheço a fundo sobre gestão e claro que vamos aplicar técnicas de gestão capazes de engrandecer nosso clube ainda mais. Mas, além de mim, somos um grupo, uma chapa composta por vários apoiadores que também são grandes conhecedores dessas metodologias e também de futebol. Não há espaço para personalismo quando tratamos do Cruzeiro Esporte Clube.

No duelo decisivo contra o Palmeiras, na Copa do Brasil, Mano usou cinco atletas formados na base - Murilo, Lucas Silva, Élber, Alisson e Raniel. Três deles foram cedidos a outros clubes antes da afirmação no Cruzeiro. Como você avalia essa política? Um time sub-23 para lapidá-los no próprio clube, por exemplo, te agrada?

Utilizar cinco atletas da base em uma partida tão decisiva é muito mérito de quem trabalhou essa gestão do presidente Gilvan na base, como meus companheiros Márcio Rodrigues, Bruno Vicintin, Antônio Assunção e Hermínio Lemos. Já li a entrevista que o Vicintin deu ao seu Blog, na qual ele respondeu a essa pergunta, e eu concordo com ele. Fazer um time sub-23 para disputar terceira divisão do Mineiro é uma ideia que só vai gerar custo. Vamos buscar outras formas com o departamento de futebol para evoluir a transição desses atletas, que já vem sendo bem feita, tanto que, nos seis anos de gestão do presidente Gilvan, 22 jogadores da base subiram para o profissional e 11 deles participaram das campanhas dos títulos brasileiros de 2013 e 2014. Temos como compromisso elevar o número de revelações dos atletas de base. Vamos colocar em prática este compromisso.

Dos jogadores mais utilizados, apenas o volante Hudson ficará sem contrato ao fim deste ano. Até que ponto isso é positivo, por manter uma base, e até que ponto limita as ações do próximo presidente? Quanto ao treinador, você manteria Mano Menezes?

Sobre o time, como falei anteriormente, é inegável que a qualidade que o próximo presidente vai receber é infinitamente maior do que a que o presidente Gilvan recebeu. Mérito do trabalho dos nossos profissionais do futebol. Não teremos grandes dificuldades em renovação de contrato e só vamos precisar contratar jogadores que realmente venham para fazer a diferença, já que a base está bem formada. Só vejo pontos positivos nisso. Sobre o contrato do treinador Mano, que termina no fim do ano, caso eleito, pretendo sentar com meu departamento de futebol para analisar a fundo o trabalho e, aí, sim, propor ou não renovação. Acho um dos melhores treinadores do Brasil e que vem fazendo um bom trabalho. Esperamos que este trabalho seja coroado com os títulos da Copa do Brasil e da Primeira Liga e com a classificação do Cruzeiro para a Libertadores. O que, em um ano político, e depois de tudo que a oposição vem fazendo para tumultuar o ambiente, será, caso alcançado, digno de aplausos de todos os cruzeirenses.

7 comentários:

  1. Gostei muito racional, é o que precisamos acabar com esse tal eu e começar usar o nós, e nem pensar em trazer de volta a galera que só sabia vender jogadores quando deixaram o clube era uma terra arrasada. Que nossos conselheiros com sabedoria valorizem essa proposta.

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  2. Poderia ser em vídeo. Escrever até um grande poeta escreve. Como ele disse em carta aberta, compromisso dele não é com a torcida e sim para conselho. Eu falaria com todos conselheiros que se quer o Cruzeiro para seus filhos, netos, pense no futuro e não no momento. Ele não pode ser o Thor muito menos presidente do Cruzeiro.

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  3. Com certeza o Dr Sérgio é o mais preparado de longe, o outro candidato simplesmente não dá!!!!

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  4. Precisamos de um Presidente dinâmico e de sangue novo. Não conheço os dois candidatos, mas pelo que li nas duas entrevistas, o Sr. Wagner Pires será um outro Gilvan, honesto mas com retrovisor voltado para o passado; já o Dr. Sérgio parece voltado para o futuro mas precisa se explicar mais, principalmente na composição da Diretoria.
    O interessante seria um Debate entre as duas chapas. Como diria o Adilson, vamos aguarrdarrrr.

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  5. Pouqíssimas propostas concretas! Estamos há 2 meses das eleições e ele não tem uma plataforma admin. para o clube em 2018. O que fica da entrevista é que pra ele, Wagner, tudo está funcionando muito bem no CEC (DM, programa de sócios, base...). Contudo, os números mostram uma admin desastrosa de Gilvan e cia e o maior percentual de endividamento entre todos os clubes do Brasil. Simplesmente ele não tema mínima condição de ser presidente do Cruzeiro.
    Oremos.

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    1. O Wagner com certeza é o mais experiente para administrar o Cruzeiro. Wagner com 34 anos já participava das maiores negociações do país. Não tem nem o que discutir.

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  6. Eu muito da entrevista ele mostrou ser muito humildade e determinado, ele tem exepriência. Ele tambem mostrou ter compromisso com o CRUZEIRO o que engloba TODOS os cruzeirenses seja ele conselheiros, torcedores, torcedores Conselheiros, etc...

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