27/07/2017

A queda do Atlético e o recado para Micale

Vinícius Dias

Aos cinco minutos da etapa inicial, Carli. Aos 41', Roger, o melhor em campo no Nilton Santos, completando cruzamento de João Paulo. A um minuto do fim do jogo, Gilson, fechando a conta: 3 a 0 para o Botafogo, rumo às semifinais da Copa do Brasil, eliminando o Atlético pela quarta vez em 11 anos. Vitória da estrela solitária sobre o time das estrelas que se escondem, do coletivo de Jair Ventura sobre o talento que nem Diego Aguirre nem Marcelo Oliveira nem Roger Machado conseguiram organizar.


O confronto dessa quarta-feira começou com o alvinegro carioca tendo mais posse de bola e ameaçando, até abrir o placar após escanteio. Rodrigo Pimpão apareceu com perigo no lance seguinte, parando em boa intervenção de Bremer. A partir daí, o Botafogo passou a deixar a bola com o Atlético, que propunha com pouca objetividade. O time de Jair Ventura levava perigo nos contra-ataques, especialmente pela esquerda, aproveitando os espaços deixados pelas subidas de Marcos Rocha. Enredo do 2 a 0.

Alma e futebol: Botafogo sobrou no Rio
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

No intervalo, Rogério Micale sacou Yago e o improdutivo Robinho, acionando Rafael Carioca, em negociação com o Tigres, do México, e Rafael Moura. Aposta no jogo aéreo - embora tenha cruzado menos vezes em comparação com as últimas partidas, repetiu o péssimo aproveitamento - e no passe qualificado para levar a bola ao ataque. Na prática, o Galo teve a posse em mais de 60% do tempo, mas seguiu esbarrando nas linhas próximas do bem ajustado Botafogo, que ainda marcou pela terceira vez.

O estreante Micale saiu com várias interrogações e um recado.
No Rio, a estrela solitária venceu as estrelas que se escondem.

26/07/2017


Ícone do vôlei revela os bastidores da paixão pelo clube, com pausa
em reunião nos Estados Unidos para checar resultado e superstições

Vinícius Dias

Medalhista de bronze em Atlanta, em 1996, e presente em mais três Olimpíadas ao longo da vitoriosa trajetória no vôlei, Ana Paula Henkel é novata quando o assunto é acompanhar o Cruzeiro no Mineirão. A partida desta quarta-feira marcará apenas o segundo encontro com sua maior paixão no futebol. Pé-quente na estreia no Gigante da Pampulha, justamente diante do Palmeiras, no triunfo por 2 a 1 em agosto de 2015, a ex-atleta espera que a equipe estrelada repita a dose. "Minha expectativa é de vitória. Vou arriscar 1 a 0", comenta ao Blog Toque Di Letra.


Passados quase dois anos, a primeira ida ao estádio, no Dia dos Pais, ainda mexe com as lembranças de Ana Paula. "Para onde olhava, eu sentia meu pai. Conhecer e estar durante todo o jogo e todo aquele dia com o Procópio (Cardozo), um ídolo de quem ele falava muito, foi marcante para mim. E a mágica ali do Mineirão, a torcida do Cruzeiro", destaca. Atualmente morando nos Estados Unidos, a lavrense aproveitará a reta final das férias no Brasil para prestigiar a equipe nesta quarta-feira. "Considero todos aí uma família estendida. Estarei muito bem acompanhada".

Ana Paula: paixão a dez mil quilômetros
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Divulgação)

O contato tardio com o palco das maiores conquistas celestes tem justificativa: a intervenção materna. "Pai cruzeirense, camisa desde pequena, vontade de ir ao Mineirão. Minha mãe falava: 'nem pensar que vai levar a menina'. Acompanhei toda a paixão do meu pai pelos jogadores, pelo clube, rixas com tios atleticanos", lembra. "É paixão de berço, carimbo de fábrica. E você vê... os anos passaram e, hoje, o melhor time de vôlei do Brasil, quiçá do mundo, é do Cruzeiro e tenho duas paixões da minha vida resumidas no clube. Então, sou uma menina de sorte".

Distância e olho nos aplicativos

Paixão que, mantida a quase dez mil quilômetros de distância e diante de um fuso-horário quatro horas atrás do belorizontino, rende histórias curiosas. "Nem sempre consigo assistir aos jogos ao vivo. Mas tenho dois, três aplicativos que me informam os resultados. Já aconteceu de, em meio a uma reunião, cliente falar 'pode pegar o telefone e checar'. Acompanho o máximo que posso", revela Ana Paula. "Tenho minhas superstições. Em jogos importantes, eu fico lá nos Estados Unidos andando para baixo e para cima com a camisa da sorte, de 2003, que foi do meu pai", completa.

Ex-atleta ao lado de Procópio e Gilvan
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Divulgação)

Mesmo com o Cruzeiro vivendo um momento de irregularidade e vindo de derrota, a ilustre torcedora se mostra confiante na classificação à Libertadores de 2018. "Acredito muito tanto no elenco quanto no Mano Menezes. E me desculpem os torcedores da hashtag #ForaMano. Essa hashtag ainda não é minha. O futebol vive essa cultura do imediatismo, está ruim, vamos trocar, e eu acho que não é bem por aí", destaca. Em meio a elogios ao grupo, a multicampeã faz uma aposta. "Acho que o Thiago Neves vai fazer a diferença na hora em que a gente precisar".

25/07/2017

Cruzeiro terá sábado de articulação política

Vinícius Dias

A semana será movimentada para o Cruzeiro não apenas dentro de campo, com o confronto de volta das oitavas de final da Copa do Brasil contra o Palmeiras, nesta quarta-feira, no Mineirão, mas também nos bastidores. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, o próximo sábado marcará mais uma etapa dos trabalhos de articulação política das chapas que têm protagonizado a disputa pela sucessão presidencial.


Na sede campestre, um grupo de juristas - alguns deles conselheiros do clube - fará ato de apoio à chapa União - Pelo Cruzeiro, Tudo, encabeçada pelo empresário Wagner Pires de Sá. Segundo fontes ligadas à situação, o ato ocorrerá depois de os juristas terem tomado conhecimento do projeto da Fundação Educacional Cruzeiro Esporte Clube, que aliaria cultura, esporte e educação, tendo como público-alvo crianças a partir de seis anos.

Wagner e Sérgio encabeçam as chapas
(Créditos: Wagner Pires/Sérgio Santos/Divulgação)

Um encontro na residência de Zezé Perrella em Belo Horizonte reunirá apoiadores da chapa Tríplice Coroa. Internamente, o evento é apontado como um termômetro da aceitação por parte do Conselho do projeto encabeçado pelo advogado Sérgio Santos Rodrigues, ex-superintendente de futebol do clube, e deverá abrir caminho para a intensificação da presença do senador na agenda da chapa. São esperados cerca de 200 nomes.

Conselho é foco da ala italiana

As eleições do Conselho Deliberativo, que devem ocorrer em novembro, um mês após a definição do próximo presidente do Cruzeiro, são tratadas como prioridade pela bancada italiana. A tendência é de que seja lançada uma chapa com vários sócios-torcedores que também são associados do clube concorrendo às cadeiras de associados conselheiros para o triênio 2018/2020. O assunto foi discutido em reunião na última sexta-feira.

24/07/2017

Corinthians monitora Messias, do América

Vinícius Dias

Um dos pilares do setor defensivo do América, o menos vazado das primeiras 16 rodadas da Série B, o zagueiro Messias tem sido monitorado pelo Corinthians. Com apenas três opções no elenco após a lesão do titular Pablo, o clube paulista busca uma alternativa para o setor a pedido do técnico Fábio Carille. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, o americano, de 22 anos, integra a lista de possíveis alvos.

Messias: revelação da base alviverde
(Créditos: Carlos Cruz/América FC/Divulgação)

Contatados pela reportagem nesta segunda-feira, o diretor de futebol do Coelho, Ricardo Drubscky, e o agente do zagueiro, Pedro Lemos, afirmaram não ter sido procurados. No primeiro semestre, a Chapecoense chegou a fazer uma sondagem. Em relação ao Corinthians, a avaliação nos bastidores é de que o maior entrave seria a necessidade de investir em torno de € 2 milhões, cerca de R$ 7,3 milhões, para tê-lo em definitivo.

Vínculo longo com o Coelho

Messias tem contrato com o América até dezembro de 2018. O alviverde detém 70% dos direitos econômicos do zagueiro. Os outros 30% pertencem à empresa Sports Winners Management.


Atlético e Cruzeiro perderam com mais posse nesse domingo; para
especialistas, calendário é o grande adversário do jogo propositivo

Vinícius Dias

Ponto-chave da estratégia do Barcelona de Pep Guardiola, equipe mais vitoriosa do século XXI, o controle da bola não tem sido sinônimo de bons resultados neste Campeonato Brasileiro. Conforme levantamento realizado pelo Blog Toque Di Letra, jogo a jogo, a partir dos dados disponibilizados pelo Footstats, as equipes que tiveram mais posse de bola venceram apenas 26% das partidas - 42 das 159 - disputadas até esse domingo. Os números motivam o debate entre especialistas, unânimes em apontar o calendário nacional, com jogos em curtos intervalos, como grande vilão.


"Nossa cultura dificulta demais para treinadores e times. Você não melhora jogando, melhora com treinamentos. Se não há tempo hábil, os jogos caem de produção e as mudanças cabem em cima apenas de resultados", reprova o ex-meia Alex. "Você consegue perder três jogos em uma semana, mas pode ter sido melhor que o adversário em todos. O que imaginamos para o nosso time? Vencer por vencer ou com bons jogos? Por isso, a dificuldade quando vêm treinadores de fora. Eles precisam de mais tempo ainda para entender o calendário ridículo que a turma da CBF faz e os clubes aceitam".

Ex-meia critica calendário brasileiro
(Créditos: Gualter Naves/Light Press/Cruzeiro)

Camisa 10 de esquadrões históricos de Cruzeiro e Palmeiras, o hoje comentarista da ESPN Brasil evita comparações entre estilos. "Existem várias formas de se atuar. Ter posse de bola não significa ter domínio do jogo. É preciso ver como foi essa posse. Às vezes você tem a posse na intermediária, mas não fura o bloqueio do adversário, que pode em dois contra-ataques definir o jogo. Tem aqueles que preferem dar a bola ao adversário e apenas esperar para contra-atacar, mas não sendo eficientes podem tomar um gol e não conseguem alterar a forma de jogar".

Reagir gera desgaste emocional

Fisiologista com passagens por Cruzeiro e Botafogo, Matheus Fontes também critica o calendário. "É muito ruim, atrapalha o espetáculo. Fisiologicamente, contribui para que os times tenham menor capacidade de desempenho. Além disso, quando monitoramos a percepção subjetiva de esforço, percebemos que ter um padrão reativo resulta em maior desgaste emocional", revela. "A postura mais defensiva também pode estar relacionada à busca por cursos, como o da CBF, que conta com instrutores europeus. Os treinadores têm adquirido conceitos, novas ideias de jogo", emenda.

Brasileiro monitora dados de atletas
(Créditos: Arquivo Pessoal/Matheus Fontes)

Responsável pela implantação de um projeto inovador no futebol português, reduzindo em 74% o índice de lesões musculares no Marítimo entre as temporadas 2015/2016 e 2016/2017, o brasileiro destaca a abordagem científica acerca do jogo reativo. "A partir de 2002, 2003, as pesquisas começaram a relacionar os melhores resultados às equipes com maiores distâncias percorridas em alta intensidade. Recentemente, um estudo realizado na Bundesliga constatou que vai além disso: é preciso ter alta intensidade quando está com a posse de bola".

Com menos posse e mais vitórias

De acordo com o Footstats, na última edição do Campeonato Brasileiro, 52% das vitórias foram conquistadas por equipes que tiveram menos posse de bola durante as partidas. Conforme levantamento realizado pela reportagem, jogo a jogo, até esse domingo, o cenário tem se repetido com frequência ainda maior na atual temporada: 65%. Disputados os primeiros 159 confrontos - 121 terminaram com vencedor -, 89% dos triunfos de times visitantes aconteceram sem o controle da bola. Entre os mandantes, o índice de vitórias com posse inferior ao oponente é de 49%.

65% das vitórias tiveram menos posse
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Com trabalhos na Europa e na Ásia, Paulo Autuori pondera que o sucesso de equipes que dão a bola ao adversário não é exclusividade do Brasil. "A última foi o Manchester United contra o Ajax. Uma estratégia do Mourinho de deixar o Ajax propor o jogo e só trabalhar em relação às transições. Valeu o título da Liga Europa". A recorrência no futebol nacional, no entanto, é atribuída à maratona de jogos. "O calendário não permite que o treinador tenha condições de treinar como deve ser. Os jogadores estão sempre entrando em campo sem estarem completamente recuperados".

'Treinadores têm que sobreviver'

Cenário que inibe estratégias mais arrojadas. "Para propor, você tem que estar com uma disponibilidade física grande para, se perder a bola, já começar um pós-perda e recuperá-la rapidamente. E é óbvio que construir é muito mais complicado do que destruir. Como você tem pouco tempo para treinar, como vai fazer sua equipe propor jogo? É necessário um jogo posicional, é necessário trabalhar para isso e não há tempo", questiona o carioca, que levou o Cruzeiro ao título da Copa Libertadores, em 1997, e hoje é gestor técnico do Atlético/PR.

Autuori questiona ciranda de técnicos
(Créditos: Thiago Maceno/Site Oficial/Atlético-PR)

Autuori também reprova as sucessivas trocas de comando. "Com essa ciranda absurda de técnicos, você vai pelo mais seguro, que é não ter posse e esperar o adversário errar. Os dois treinadores têm que sobreviver", lamenta, apontando um círculo vicioso. "Se não mexer no mais importante, que é o calendário, nada será alterado. Vamos continuar vendo jogos de baixa qualidade, porque se joga toda hora. Nisso entra a televisão, que exige, a CBF, que permite. O problema está ligado à incapacidade dos responsáveis pelo futebol brasileiro de refletir e tentar alguma mudança".

22/07/2017

Roger se foi! É hora de cobrar do elenco

Alisson Millo*

Um elenco repleto de estrelas que seguem sem dar resultado e mais uma vítima. Não que Roger Machado estivesse isento de culpa. Tinha até muita e merecia todas as críticas que vinha recebendo nas últimas semanas, mas, a exemplo de Diego Aguirre e Marcelo Oliveira na temporada passada, foi tratado como maior culpado e sofreu do mesmo destino. Talvez seja hora de cobrar não só dos técnicos, mas também olhar para o desempenho, e não para os nomes, de alguns jogadores.


Alguns adversários e até ex-atleticano já deixaram claras deficiências como a falta de marcação no meio-campo. Seja com um, dois ou três volantes, a bola tem passado, dificultando o trabalho da zaga, e os jovens Gabriel e Bremer, mesmo jogando bem, não conseguem resolver a todo momento. A discussão não é se o time está ou não sendo bem escalado. É sobre a obrigação de quem é escalado dar o sangue para confirmar o rótulo de um dos melhores elencos do Brasil. É justamente a falta desse sangue que rende críticas a jogadores tecnicamente tão bons.

Cazares: ora decisivo, ora apagado
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

No setor ofensivo, apenas lampejos de bom futebol. Cazares, que normalmente precisa de poucos minutos para decidir, em alguns jogos passa os 90 sem participar. Um craque que ostenta a camisa 10 que há três anos era de Ronaldinho Gaúcho precisa chamar a responsabilidade sempre. E ainda mais nessa situação em que o time se encontra. Robinho há algum tempo deixou de ser unanimidade e, nas últimas duas rodadas, perdeu a posição para Marlone, que até marcou gols importantes contra Chapecoense e Botafogo, mas ainda não empolgou.

Soluções que não resolvem mais

Pensei que Maicosuel não faria falta. Errei. O mago pelo menos se dispunha a partir para cima dos adversários em busca de uma jogada diferente, o que falta em uma linha de frente tão previsível, que só abre o jogo, cruza procurando Fred e erra. O camisa 9, por sinal, cometeu o pênalti que resultou no primeiro gol do Bahia, na quarta-feira, e desperdiçou um contra o Santos. Se antes Rafael Moura era solução, agora, independentemente de ser torcedor declarado, não tem resolvido nem agradado.

Time de Fred e Robinho não convence
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Infelizmente, o Atlético tem parecido um time sem dono. Desde o afastamento do saudoso Eduardo Maluf, falta um pulso firme, a autoridade que cobre resultados e saiba lidar com os atletas. Se o presidente optou por não contratar um novo diretor de futebol, que exerça a função ele mesmo, com qualidade. Um investimento desse tamanho não pode ter sido feito para brigar apenas no meio da tabela do Campeonato Brasileiro.

Micale: velho conhecido de volta

Com a queda de Roger Machado, o escolhido para a sequência da temporada é um velho conhecido na Cidade do Galo. Ex-treinador das categorias de base e campeão olímpico com a seleção em 2016, Rogério Micale chega com a difícil missão de comandar e reerguer um time estrelado e com o ego inflado, apesar dos resultados ruins. Agora, só nos cabe desejar boa sorte ao novo treinador. Com todo o segundo turno e o fim do primeiro pela frente, há tempo para fazer a maré virar.

Rogério Micale: comandante do ouro
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Um diferencial de Micale é o trabalho com jovens, que pode ser útil para lançar outros campeões da Copa do Brasil sub-20 e observar nomes da equipe B. Roger chegou a promover alguns e, com três competições simultâneas, eles podem ser o ponto de equilíbrio. Yago, Bremer, Matheus Mancini e Leonan vinham sendo usados, mas Ralph, Flávio, Marquinhos e Cleiton devem ser acompanhados de perto. Com o título brasileiro muito distante, a transição pode ser gradual, com a responsabilidade maior ficando para os atletas que, de fato, foram contratados para assumi-la e levantar troféus.

Da Copa do Brasil à Libertadores

Na Copa Libertadores, parada torta no jogo da volta contra o Jorge Wilstermann. Se em um passado próximo o 0 a 1 era totalmente reversível, as atuações recentes em casa deixam o torcedor receoso. Pela Copa do Brasil, o Botafogo não será moleza. Mesmo com o Galo jogando bem fora de casa, segurar um empate no Nilson Santos não será fácil e vai exigir muito mais do que a equipe vem apresentando. Mais até do que o burocrático confronto de ida, no Horto, cuja mística, se não tinha sido quebrada anteriormente, agora está totalmente em pedaços.

O estádio próprio não ficará pronto de uma hora para outra nem pode ser o foco enquanto o futebol não convence. Se a diretoria é tão supersticiosa, mande os jogos no Mineirão, que é do tamanho do Atlético, embora menor do que a massa. Muito obrigado, Arena Independência, mas o encanto chegou ao fim. Passou da hora de voltarmos, de fato, para casa. Como costumo ouvir ao sintonizar o rádio, por que tem que ser tão sofrido, Galo?

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

21/07/2017

O Mineirão e o melhor dia da minha vida

Especial para o Toque Di Letra
Artur Portilho*

Era um domingo qualquer de férias. Férias essas que queria aproveitar, mas como? Nunca tive condição de sozinho bancar minha ida para outros lugares, como viagens bacanas, sequer bancar uma ida à capital e ver o meu único e verdadeiro amor: Cruzeiro Esporte Clube, ou, para os íntimos, Cruzeiro, zêro. Pois no último domingo tive essa oportunidade. Moço do interior, com medo da capital. Ir ou não ir? Jogo bem grande para conhecer uma cidade imensa e um estádio provavelmente lotado.


Será? Já diziam os antigos: quem tem boca vai a Roma. Fui, reativei meu sócio Cruzeiro Sempre, comprei o ingresso na quarta-feira anterior ao jogo e, enquanto isso, o Cruzeiro ganhava no Paraná por 1 a 0 do Atlético/PR. Eu logo pensei 'vai lotar, que medo'. Mas, ao mesmo tempo, queria ver aquele estádio que nunca tinha visto pessoalmente lotado. Para valer a pena, entendem?

Ingresso comprado, carona garantida, vamos para BH. Fui. O domingo parecia não chegar, andei barzinhos durante minha estadia até o domingo. Fui ao mercado, almocei em um restaurante de indicação do meu pai, visitei a Praça da Liberdade e banquei de turista por algumas horas.

E como seria o melhor dia da minha vida, aos 21 anos? Como seria conhecer o estádio Governador Magalhães Pinto ou, simplesmente, Mineirão? Como seria bater o olho naquela monstruosidade de concreto, que fez e ainda faz gerar tantas emoções em várias pessoas, com várias histórias de vida, que faz gerar emoção por uma simples televisão. Sinceramente, não sabia!

Cheguei! Saí do Uber, agradeci ao motorista e fiquei cerca de cinco minutos tentando entender o tamanho daquilo. É pessoalmente e lindo. Andei em direção ao estádio, dei uma pequena volta e, ao retornar pelo caminho que fiz, parei em uma barraca de pessoas bem simpáticas, por sinal, que descobri que era a famosa Barraca do Povo. 

Artur: primeiro contato com o Mineirão
(Créditos: Arquivo Pessoal/Artur Portilho)

Lá, conheci seu Douglas. Entre conversas atravessadas, começamos a falar do Cruzeiro, da Tríplice Coroa, dos jogos sofridos de 2011, das idas de seu Douglas até Sete Lagoas e do fatídico jogo do 6 a 1, que, por sinal, é o número da minha camisa celeste! Conheci outro senhor, cujo nome não me recordo, que falou que foi à partida entre Cruzeiro x Villa Nova que teve mais de 100 mil pessoas naquele mesmo estádio. Fiquei imaginando a emoção daquele jogo. Deve ter sido a coisa mais linda do mundo!

Seu Douglas fez questão de ir comigo. Falou que iria entrar mais cedo e me deixar 'curtir a emoção do estádio'. Entramos na esplanada, já estava sem palavras. Subimos as escadas, mais algumas e pronto: o sócio me liberou para viver um sonho por 90 minutos. Seu Douglas adentrou comigo a Toca III e me viu emocionado e falou 'chore, enquanto isso vou beber mais uma'. Eu ri e não aguentei. Entrei em prantos, passou um filme na minha cabeça, mas um filme do tipo: pela televisão é legal, mas nada irá superar esse dia! É muito lindo aquilo tudo, aquela torcida, as bandeiras, o gramado.

Recompus-me, respirei fundo e fui atrás do seu Douglas e bebi uma também. O Mineirão já estava lotado e, quando a torcida gritou 'a imagem do Cruzeiro resplandece' no hino nacional, fiquei em êxtase.

O jogo não entra em questão. Fui ao Mineirão e pude gritar gol. Era isso o que eu queria. Talvez uma vitória, um passe do Sassá ou uma cavadinha do Thiago Neves. Fora isso, foi lindo.  

Cruzeiro Esporte Clube, eu te amo com toda a força do mundo! Obrigado por esse dia. Mineirão, obrigado. Guarde minhas lágrimas como gesto de carinho. Um forte abraço de um cruzeirense fanático e feliz. E um até logo.

*Nascido em Curvelo, criado em Pirapora, mora em Patos de Minas.

20/07/2017

O Atlético que cruza muito e pensa pouco

Vinícius Dias

Passe de Régis para Juninho, com tempo e espaço de sobra entre sete atleticanos, arrematar com precisão: 2 a 0 para o Bahia, estufando as redes de Victor aos 42' minutos da segunda etapa. Confirmada a quarta derrota do Atlético em oito partidas no Horto. Quinto pior mandante do Campeonato Brasileiro, sendo o terceiro que mais sofreu gols - apenas Vitória e Fluminense foram vazados mais vezes - e o quinto que menos balançou as redes em seus domínios. Retrato do insucesso de um time sem ideias.


O Atlético chega a julho dando vexame em casa - com apenas oito pontos em 24, precisa vencer todos os jogos restantes para não fechar esta edição com o pior mando de campo da era Horto. A falta de repertório é traduzida em números pelo Footstats. Contra o xará paranaense, tinha um a mais, cruzou 63 vezes, acertou apenas oito e perdeu. Diante do Santos, errou 44 dos 57 cruzamentos e caiu no fim. Nessa quarta-feira, depois de o Bahia abrir o placar, alçou 53 bolas, errou 44 e sofreu o segundo.

Fred passou em branco nessa quarta
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

O time de linhas defensivas próximas e construção ofensiva baseada em toques rápidos e triangulações, marca nos tempos de Grêmio, existe no discurso de Roger Machado. Em campo, exceto nos raros lampejos dessa proposta, o que o Atlético executa é o jogo dos cruzamentos. Com bolas levantadas a toda hora, de qualquer lugar do campo, é quem mais erra no fundamento, reafirmando a falta de ideias. Um elenco bom e caro, mas que não incomoda os adversários nem funciona.

O time que visava posse e organização ganhou nova identidade.
O Atlético de Roger, no sétimo mês, cruza muito e pensa pouco.

19/07/2017

Peruano entra em pauta no Atlético/PR

Vinícius Dias

Vice-artilheiro da seleção do Peru no ano passado, com quatro gols, Edison Flores entrou em pauta no Atlético/PR. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, o meia-atacante foi oferecido ao Furacão por um emissário ligado a seu agente. A pouco mais de 24 horas do fechamento da janela internacional, as partes discutem a possibilidade de empréstimo com opção de compra junto ao Aalborg, da Dinamarca, atual clube do peruano.

Edison Flores foi oferecido ao Furacão
(Créditos: Federación Peruana/Reprodução)

Com contrato até junho de 2020, Orejas foi utilizado em apenas 20 das 38 partidas da temporada 2016/2017, marcando dois gols, e vê o retorno ao futebol sul-americano com bons olhos. O ex-camisa 10 do Universitário, do Peru, seria o quarto titular da seleção comandada por Ricardo Gareca a atuar no futebol brasileiro. Hoje, a lista tem Paolo Guerrero e Miguel Trauco, do Flamengo, além de Christian Cueva, do São Paulo.

18/07/2017


Lesionado em abril, no duelo com o Cruzeiro, lateral-direito revela
desespero, porém não teme recomeço do zero: 'Quero ser vencedor'

Vinícius Dias

No dia 09 de abril, Alan Silva subiu ao gramado do Mineirão ciente de que estava sendo monitorado por Atlético, Botafogo e Cruzeiro, adversário naquela manhã. "Meu pensamento era o melhor possível. Três grandes clubes do Brasil interessados em contar com meu futebol, não tinha sensação melhor. Com certeza, foi meu auge", relembra ao Blog Toque Di Letra. Aos 34 minutos da etapa inicial, no entanto, uma fisgada na coxa esquerda pôs fim à alegria do lateral-direito do Democrata de Governador Valadares.


Nesta terça-feira, Alan Silva completa 100 dias fora dos gramados. "No momento em que me lesionei, passou na minha cabeça o esforço para chegar àquela partida contra o Cruzeiro, fazer o meu melhor e definir a minha vida profissional. Foi um momento de muita tristeza, desespero e, para ser sincero, pensei que naquela oportunidade tudo tinha acabado", revela o camisa 2, que havia sido um dos destaques da Pantera nos confrontos contra Atlético, quando deu uma assistência, e América.

Alan Silva: 34 minutos no Mineirão
(Créditos: Washington Alves/Cruzeiro)

Desde então, a rotina de calçar o meião e as chuteiras para participar das atividades no CT deu lugar a exames a cada 15 dias, em média. "É a maior lesão que já tive, a primeira muscular em toda a carreira. Claro que é um drama. Eu estava prestes a mudar minha vida em todos os sentidos e, além de tudo, amo o que faço. É meu sonho desde criança e ficar esse tempo todo sem fazer o que você gosta é complicado", lamenta o lateral-direito, que já durante o tratamento chegou a ser alvo do Paysandu.

Com confiança para recomeçar

Focado na recuperação, Alan Silva destaca o apoio do Democrata, clube com o qual tinha contrato até a primeira quinzena de maio. "Desde o início do tratamento, nunca deixou de me apoiar". Com nova consulta marcada para a próxima sexta-feira, em Governador Valadares, o baiano ainda não tem data definida para voltar aos gramados. "O médico disse que não é uma lesão grave. Mas, da forma como ocorreu, é uma lesão demorada mesmo. Está dentro do prazo que ele deu", comenta.

Camisa 2 foi destaque contra o Atlético
(Créditos: Esporte Clube Democrata/Divulgação)

Nem mesmo a incerteza sobre os próximos passos minimiza os sonhos do lateral-direito, de 26 anos. "Futebol, sabemos como funciona, é imprevisível. Bem provável que eu tenha que recomeçar do zero. Mas não tenho medo. Vou fazer melhor do que neste ano caso eu venha a poder jogar só em 2018. O mercado que eu penso são os clubes grandes. Trabalho muito para que isso aconteça e quero ser vencedor", garante. "É só fazer tudo de novo e pedir a Deus que nenhum mal novamente aconteça".

17/07/2017

Evolução e lacunas no futebol do Cruzeiro

Vinícius Dias

Aos 14 minutos do segundo tempo, Sassá recebeu de Diogo Barbosa em profundidade e balançou as redes do Flamengo. Aos 27', usou a velocidade para superar a defesa rubro-negra, mas preferiu finalizar a servir Rafael Sóbis. A expectativa de virada terminou em tiro de meta: 1 a 1 no Mineirão, confirmando o melhor momento do Cruzeiro no Brasileirão, mas impedindo a sequência de três vitórias. Resultado que passa pelo camisa 99, mas começa no embate entre a evolução e as lacunas persistentes.


Entre o 4-3-2-1 e o 4-3-3, o time de Mano Menezes teve boa atuação contra o Palmeiras tendo menos posse, mas explorando as limitações da marcação por encaixe adotada por Cuca. Diante do Atlético/PR, o Cruzeiro ficou com a bola em menos de 40% do tempo, levou sustos no segundo tempo, mas confirmou o triunfo que teve início em um contra-ataque. Dois jogos em que a mobilidade de Alisson e o poder de criação de Thiago Neves, somados à eficiência no terço final, fizeram a diferença.

Sassá, o protagonista do lado celeste
(Créditos: Mauricio Farias/Light Press/Cruzeiro)

Nesse domingo, outra vez com um 4-2-3-1 que se transformava em 4-4-2 à medida que Thiago Neves avançava, o Cruzeiro teve como lacuna a transição. Na segunda linha, formada por Lucas Silva e Ariel Cabral, volantes de bom passe, mas que participavam pouco da destruição, o Flamengo encontrava espaços - improvisado na lateral, Romero foi quem mais desarmou no jogo. O rubro-negro pressionava a posse celeste, que recorria à bola longa, quase sempre interceptada antes de chegar ao ataque.

O Cruzeiro, em seu melhor momento, soma sete pontos de nove.
A série de triunfos, porém, esbarrou nas lacunas do meio-campo.

15/07/2017


Ex-Sport Boys, da Bolívia, jogador chegou a negociar com o Atlético
Tucumán; Cruzeiro tem a preferência e, agora, visa direitos fixados

Vinícius Dias

A palavra final sobre a situação de Ramón Ábila, artilheiro celeste nesta temporada, com 13 gols, deve ser dada na próxima semana. Com o presidente Daniel Angelici já tendo confirmado o interesse do Boca Juniors no camisa 9, a diretoria xeneize conversa com o Cruzeiro sobre o formato da transação. A tendência é de que até dois jogadores sejam cedidos à Raposa, que trata o meia Alexis Messidoro como primeira opção.

Messidoro: promessa da base xeneize
(Créditos: Boca Juniors/Departamento de Prensa)

Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, o principal trunfo do Cruzeiro para ter o argentino é o agente Adrián Ruocco, que também representa Ramón Ábila. Messidoro, de 20 anos, defendeu no primeiro semestre o Sport Boys, da Bolívia, e chegou a encaminhar um empréstimo ao Atlético Tucumán. Neste momento, porém, a preferência do Boca Juniors e do staff é pela Raposa, que deseja recebê-lo com direitos fixados.

Tratativas entre Boca e Huracán

Na negociação, o Boca Juniors ainda assumiria a dívida de US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 4,8 milhões, referente à compra de 50% dos direitos econômicos de Wanchope pelo Cruzeiro, em junho do ano passado. Em relação ao Huracán, o atacante Nazareno Solís pode ser envolvido, conforme a reportagem antecipou na última terça-feira. Reserva em La Bombonera, o jovem é alvo da comissão técnica do Globo.

14/07/2017

Cruzeiro, tua torcida te ama como mãe

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

A torcida do Cruzeiro precisa ser uma mãe para esse time. Isso mesmo: uma mãe. Mas não aquela mãe que mima o filho e que faz tudo o que o primogênito quer, sem pensar se isso fará bem ao desenvolvimento dele ou não. A torcida precisa assumir o papel materno no sentido de fazer o possível para colocar o filho no caminho certo, no caminho ideal.


Sabe quando o menino chega para a mãe e diz "mas todo mundo foi mal", e ela, na hora, corta a onda do garoto dizendo "você não é todo mundo"? Então. Quando o time dá sinais de que vai se basear no desempenho dos outros para justificar seus próprios insucessos em determinadas situações, cabe a nós, torcida, chamar a atenção dizendo que o Cruzeiro não é outro. Cruzeiro, você é o Cruzeiro e não pode ter como parâmetro o vizinho ou o coleguinha de tabela. Não mesmo. A menos que a situação seja inversa.

Torcida comemora triunfo ante Palmeiras
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Ai do moleque se a mãe descobre que toda a turma foi bem na matéria, menos seu amado filho. Como assim? O que foi que o garoto fez durante a aula que não assimilou o conteúdo para, assim como os demais, fazer um bom teste? É isso que a torcida precisa cobrar, por mais contraditório que seja. Como é que o time consegue perder pontos bobos em casa contra equipes que são, com todo o respeito, saco de pancadas da competição?

Entre o orgulho e as cobranças

Quando o garoto se dá bem no teste e chega todo orgulhoso mostrando a prova, apesar do orgulho latente, é papel da mãe explicar à criança que aquilo é sua obrigação. Que enquanto ela e o pai trabalham e se esforçam para deixar a casa em ordem, o filho deve entender que o mínimo que ele precisa fazer é se esforçar para alcançar os resultados. Não que a mãe não possa parabenizá-lo pelas conquistas. Pelo contrário. O filho precisa ser valorizado e entender que a vitória dele significa a felicidade dos seus pais. O contrário é motivo de preocupação e, se necessário, bronca.

Cruzeiro bateu o Atlético/PR em Curitiba
(Créditos: Geraldo Bubniak/Light Press/Cruzeiro)

E tem algo que dê mais orgulho para uma mãe do que poder falar do filho para os outros? Assim tem que ser o assunto Cruzeiro quando um cruzeirense puder falar sobre o time. E é ainda mais gratificante para uma mãe quando ela pode falar bem do rebento, contar aquela vantagem marota quando está na rodinha com as outras mães. Contar as peripécias, a evolução, o quanto ela se orgulha dele e o quanto ele a respeita.

O amor da torcida pela Raposa

Cruzeiro, tua torcida te ama como uma mãe ama o filho. Entenda que toda a cobrança, todas as noites mal dormidas, as lágrimas e sorrisos são por sua causa. Queremos seu bem. Sua vitória é nossa vitória. Sua derrota é nossa derrota e, embora às vezes não pareça, elas doem mais na gente do que em você. Nós nunca iremos parar de te cobrar quando preciso e de te felicitar quando necessário. E o mais importante: sempre estaremos contigo. O que esperamos é esforço, inteligência, entrega e reciprocidade.

Dê a seu torcedor o mesmo valor que ele te dá. Pense nele cada vez que estiver em uma prova, em uma partida. Pense em todo o esforço que ele faz para estar nas arquibancadas do seu lado.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!